Um filhote de onça-parda foi resgatado após ser encontrado sozinho em uma lavoura de milho às margens da BR-060, em uma propriedade rural de Santo Antônio da Barra, no sudoeste de Goiás. O animal foi localizado na manhã desta segunda-feira (28), durante a retirada dos grãos.

O filhote foi avistado enquanto trabalhadores realizavam a colheita. Diante da presença do animal, o Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar o resgate e verificar se a mãe estaria nas proximidades.

As equipes fizeram buscas pela região na tentativa de localizar a fêmea, mas ela não foi encontrada. Diante da situação, os bombeiros realizaram a captura do filhote com segurança e o encaminharam para o quartel da corporação em Rio Verde.

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A previsão é que o animal seja posteriormente encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde deverá passar por avaliação e receber os cuidados necessários antes de ter uma destinação definida pelos órgãos responsáveis.

O caso chama atenção para a presença de animais silvestres em áreas rurais que sofrem interferência das atividades agrícolas. Durante períodos de colheita, limpeza e manejo das plantações, animais que vivem ou circulam nessas regiões podem acabar expostos ao contato com trabalhadores e máquinas.

Os filhotes são especialmente vulneráveis, já que ainda não possuem a mesma capacidade de deslocamento e defesa dos animais adultos. A situação pode se tornar ainda mais delicada quando o animal é encontrado sem a presença da mãe.

O Corpo de Bombeiros orienta que moradores, trabalhadores rurais e outras pessoas que encontrarem animais silvestres não tentem realizar a captura ou o manuseio por conta própria. A recomendação é manter distância e acionar o atendimento especializado pelo telefone 193.

A onça-parda é uma espécie presente no Cerrado e também ocorre em outros biomas brasileiros. De acordo com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie possui ampla distribuição no território nacional, embora algumas populações tenham apresentado redução ou desaparecimento em determinadas regiões.

No Cerrado, o ICMBio classifica a onça-parda como Vulnerável (VU) C1. Entre os fatores apontados estão a perda e a fragmentação do habitat provocadas pela expansão agropecuária, além da caça ilegal e de mortes relacionadas a conflitos envolvendo ataques a animais domésticos.

A espécie utiliza diferentes tipos de ambientes e pode circular inclusive em áreas próximas a atividades humanas. A ocupação e transformação dessas áreas, porém, aumentam os riscos para os animais, principalmente em períodos de intensa movimentação nas propriedades rurais.

As fêmeas de onça-parda podem ter de um a seis filhotes. Os animais nascem com aproximadamente 400 gramas e permanecem sob os cuidados maternos durante a fase inicial da vida.

No caso registrado em Santo Antônio da Barra, a busca pela mãe não teve resultado até o momento do resgate. O filhote permaneceu sob os cuidados dos bombeiros e deverá ser encaminhado ao Cetas para avaliação, onde será definida a conduta adequada para o animal.

O resgate reforça a orientação para que encontros com animais silvestres sejam comunicados às equipes especializadas. A tentativa de captura por pessoas sem treinamento pode colocar tanto o animal quanto o ser humano em risco.