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Um adolescente denunciou ter sido vítima de racismo enquanto trabalhava como jovem aprendiz em uma concessionária de veículos em Goiânia. Segundo o relato, os episódios aconteceram ao longo de 2025 e envolveram ofensas verbais, piadas discriminatórias e até a criação de uma identificação falsa com a foto de um macaco associada ao nome dele.
Em entrevista à TV Anhanguera, o jovem afirmou que os ataques partiram de colegas de trabalho e se repetiram durante meses dentro do ambiente profissional.
“Fizeram, inclusive, uma identidade em que a minha foto era um macaco”, relatou.
O adolescente contou ainda que o comportamento racista era frequente e que os colegas associavam a cor da pele dele a comentários ofensivos relacionados ao desempenho no trabalho.
“Eles comparavam o meu serviço com um serviço de negro quando eu fazia certo. E quando eu fazia errado: ‘Não, também é serviço de preto’”, afirmou.
Segundo a vítima, um supervisor da empresa tinha conhecimento das situações, acompanhava parte das ocorrências e não tomou providências para impedir os ataques.
“Eu tinha um encarregado, que era o meu supervisor, e ele também sabia. Inclusive ele ficava com a gente em todo momento, e ele ria e não falava nada para eles pararem”, declarou.
O caso veio à tona após a mãe do adolescente perceber mudanças no comportamento do filho. Ela relatou que o jovem passou a apresentar sinais de sofrimento emocional depois de começar a trabalhar na empresa.
De acordo com a mãe, o adolescente atualmente faz tratamento contra depressão e utiliza medicação antidepressiva desde os episódios relatados.
“Eu conheço meu filho antes de trabalhar nessa empresa e depois. Ele está tomando antidepressivos e eu estou com um grande desafio porque tem dias que ele está bem, tem dias que não está”, disse.
Após descobrir o que estava acontecendo, a família procurou a Polícia Civil, que iniciou investigação sobre o caso. O advogado da família, Marcus Vinícius Alves, afirmou que as apurações começaram logo após a denúncia formal.
A concessionária Belcar Veículos informou, por meio de nota, que a direção só tomou conhecimento da situação após ser intimada oficialmente. A empresa declarou que abriu processo interno para identificar os três funcionários envolvidos na denúncia.
Segundo a nota, a empresa “não admite nem aceita qualquer ato discriminatório dentro das empresas” e afirmou que está à disposição para esclarecimentos.
Casos de racismo no ambiente de trabalho têm ganhado cada vez mais visibilidade no Brasil e podem resultar em responsabilização criminal e trabalhista. Desde 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo, considerado imprescritível e inafiançável pela legislação brasileira.
As investigações seguem em andamento.
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