Espaço para comunicar erros nesta postagem
Candidatos que participaram do concurso público da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), realizado no último domingo (8), em Goiânia, relataram uma série de problemas durante a aplicação das provas objetiva e discursiva. As denúncias envolvem erros gramaticais nas questões, desorganização logística, falhas de fiscalização, problemas de acessibilidade e possível descumprimento do edital, especialmente no tema da redação.
Os relatos foram feitos sob condição de anonimato, por medo de represálias. Segundo os participantes, as falhas começaram logo no início da aplicação das provas. Em diversas salas, houve atraso de aproximadamente 10 minutos para o início do exame. Em uma das salas, o atraso foi de oito minutos, causado, segundo candidatos, pela falta de pessoal para a entrega das provas.
Uma candidata ao cargo de analista legislativo afirmou que havia apenas um fiscal responsável pela distribuição dos cadernos, o que gerou tensão e comprometeu a organização do ambiente. “Isso desestabiliza emocionalmente quem estudou por meses e espera uma aplicação rigorosa”, relatou.
Além do atraso, candidatos também questionaram a postura de fiscais durante a prova. Houve relatos de conversas entre participantes antes e durante o exame, sem intervenção da fiscalização. Em um dos casos, uma candidata teria lido questões em voz alta, incomodando outros concorrentes. Mesmo após reclamações, o fiscal não teria tomado providências.
O conteúdo das provas também foi alvo de críticas. Diversos candidatos apontaram erros de digitação, falhas de formatação e falta de clareza em algumas questões. Um dos relatos cita uma pergunta que orientava o candidato a analisar termos sublinhados, embora nenhum trecho estivesse destacado no texto. Para alguns participantes, o nível de inconsistência levantou suspeitas sobre a elaboração das questões.
A prova de redação foi outro ponto de forte contestação. O tema proposto — “As vantagens e desvantagens de ser servidor público” — gerou questionamentos sobre aderência ao edital. Candidatos afirmam que o assunto não estava previsto de forma clara e objetiva no conteúdo programático. Segundo eles, a cobrança fugiu do que foi estabelecido previamente, prejudicando quem se preparou com base estrita nas regras do certame.
Para alguns participantes, o problema não é o grau de dificuldade do tema, mas o respeito ao edital. Há candidatos que defendem, inclusive, o cancelamento da prova, sob o argumento de quebra da segurança jurídica do concurso.
As falhas se estenderam também à área de acessibilidade. Um candidato autista relatou que solicitou atendimento especial no momento da inscrição, conforme previsto no edital, mas ao chegar ao local não encontrou nenhuma adaptação preparada. Segundo ele, apenas após insistência parte das condições foi atendida, quando a prova já havia começado para os demais candidatos, gerando constrangimento e prejuízo de tempo.
Candidatos canhotos também relataram dificuldades. Apesar de cadeiras adaptadas estarem identificadas, elas não se encontravam nas salas corretas. Fiscais precisaram procurar o mobiliário em outras salas durante a aplicação da prova, o que causou interrupções e desorganização.
Outro ponto levantado foi a coleta de digitais ao final da prova, procedimento obrigatório previsto no edital. Em algumas salas, candidatos teriam sido liberados sem realizar a identificação biométrica. Segundo relatos, cerca de 15 pessoas deixaram uma das salas sem passar pelo procedimento, por falha dos monitores. Ao questionarem a situação, candidatos afirmam que um supervisor respondeu de forma ríspida e sugeriu que acionassem a Polícia Federal caso estivessem insatisfeitos.
Durante a aplicação, um candidato foi desclassificado ao ser flagrado utilizando o celular. A informação foi confirmada, mas não há detalhes sobre a identidade do participante ou o local exato da ocorrência.
O concurso da Alego reuniu mais de 38 mil inscritos para disputar 101 vagas no quadro efetivo da instituição. As provas foram aplicadas em 36 locais de Goiânia, sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV). O cargo mais concorrido foi o de analista administrativo, com média de 704 candidatos por vaga. Já o cargo de policial legislativo ofertou 40 vagas, com média de 464 candidatos por vaga.
O último concurso da Alego havia sido realizado há oito anos, o que contribuiu para a alta procura. A presidente da comissão organizadora e diretora de Gestão de Pessoas da Alego, Sulema Barcelos, acompanhou a aplicação das provas em um dos locais e destacou que o número de inscritos superou as expectativas, refletindo a atratividade dos cargos, que oferecem estabilidade e bons salários.
De acordo com o cronograma oficial, os gabaritos preliminares devem ser divulgados nesta terça-feira (10), com prazo para interposição de recursos a partir do dia seguinte. O resultado final do concurso está previsto para 1º de julho.
Enquanto aguardam as próximas etapas, candidatos cobram esclarecimentos da banca organizadora e da Assembleia Legislativa sobre os problemas relatados. Até o fechamento desta matéria, a Alego e a FGV não haviam se manifestado sobre as denúncias.
Nossas notícias
no celular

Comentários