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Uma operação da Polícia Civil expôs um cenário grave dentro de uma clínica irregular em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. O local foi interditado após a constatação de que dezenas de mulheres estavam internadas em condições precárias, sendo que parte delas permanecia ali contra a própria vontade.
De acordo com as investigações, a unidade funcionava sem qualquer autorização legal ou controle adequado. No momento da ação, havia quase 70 mulheres no local, e pelo menos 12 foram identificadas como vítimas de internação forçada, caracterizando possível cárcere privado.
O delegado responsável pelo caso, André Veloso, apontou que a clínica não apresentava condições mínimas de funcionamento. Foram identificadas falhas graves de higiene, alimentação inadequada e ausência de estrutura básica para atendimento de saúde.
A situação se agravava ainda mais pela forma como o espaço era operado. Segundo a polícia, as próprias internas eram responsáveis por executar tarefas dentro da clínica, incluindo atividades que exigiriam qualificação profissional. Em um dos casos, uma paciente chegou a atuar como psicóloga, mesmo sem formação adequada.
As apurações indicam que o esquema não se limitava apenas à falta de estrutura. Há indícios de que algumas mulheres foram levadas ao local sem consentimento, prática semelhante a outros casos investigados no estado, em que pessoas eram retiradas de casa por equipes contratadas e levadas à força para internação .
Esse tipo de prática, segundo a Polícia Civil, ocorria sem avaliação médica e sem qualquer respaldo legal para internação compulsória. Em situações semelhantes já investigadas, familiares pagavam pelo serviço e as vítimas eram simplesmente recolhidas e mantidas isoladas .
Durante a operação, também foram encontrados indícios de maus-tratos. Relatos apontam que internas viviam em espaços inadequados, com alimentação precária e sem acompanhamento médico regular. Em casos anteriores desse tipo de clínica clandestina, vítimas relataram inclusive agressões ao tentar fugir .
O proprietário da clínica e a coordenadora foram presos em flagrante. Eles devem responder por crimes como cárcere privado, maus-tratos e outras infrações que ainda estão sendo apuradas.
As mulheres resgatadas foram encaminhadas para atendimento por equipes da assistência social e órgãos de saúde, que agora avaliam a situação individual de cada uma.
A investigação segue em andamento e não está descartada a identificação de outros envolvidos, já que estruturas desse tipo costumam operar com redes de captação de pacientes e apoio externo.
O caso reacende o alerta sobre clínicas clandestinas que atuam à margem da legislação, principalmente no setor de reabilitação e saúde mental, onde a vulnerabilidade dos pacientes pode ser explorada de forma ilegal e violenta.
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