O enterro das vítimas do acidente com o Acidente radiológico de Goiânia foi marcado por tensão extrema, medo e desinformação em Goiânia. Registros da época mostram moradores revoltados tentando impedir os sepultamentos, com arremesso de pedras e até cruzes no cemitério.

Imagens do acervo da TV Anhanguera revelam o momento em que os caixões chegam sob hostilidade. A ambulância que transportava os corpos foi alvo de ataques antes de conseguir acessar a área dos túmulos.

Naquele momento, o medo da radiação dominava a população. Muitos acreditavam que os corpos ainda ofereciam risco de contaminação, o que gerou reações violentas. A jornalista Mirian Tomé, que acompanhou a cobertura, relembrou frases ouvidas no local, como a de moradores que chamavam os corpos de “lixo radioativo”.

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O acidente ocorreu em setembro de 1987, quando uma cápsula contendo material radioativo foi retirada de uma clínica abandonada e aberta em um ferro-velho no Setor Aeroporto. Sem conhecimento dos riscos, diversas pessoas tiveram contato com o pó brilhante do césio-137.

A falta de informação e preparo agravou o cenário. Equipes envolvidas na resposta inicial também não tinham estrutura adequada para lidar com a situação. O tenente-coronel Luiz Gonzaga Barros Carneiro relatou que não havia proteção suficiente durante as primeiras ações.

De acordo com dados oficiais, quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da contaminação, em um dos maiores acidentes radiológicos do mundo, que deixou marcas profundas na história da capital goiana.