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A Justiça de Goiás aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a ex-diretora Priscilla Gomes Guirra e o ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior, do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, em Valparaíso de Goiás. Com a decisão, os dois passam a responder como réus em ação penal por supostos crimes praticados contra servidores da unidade escolar.
A decisão foi assinada pelo juiz Gustavo Costa Borges, da 2ª Vara Criminal de Valparaíso de Goiás, que entendeu que a denúncia apresenta elementos suficientes para a abertura do processo e descreve condutas que podem configurar infrações penais.
O caso começou a ser investigado em 2023, após denúncias feitas por servidores da escola. Segundo os relatos encaminhados à Polícia Civil, funcionários teriam sido alvo de ofensas racistas, homofóbicas e humilhações dentro do ambiente de trabalho.
Entre as acusações, vítimas afirmaram ter sido chamadas de “negra imunda”, “negra nojenta” e “viado nojento”, supostamente na presença de outros servidores. As investigações também apuraram possíveis práticas de assédio moral, constrangimentos e acusações consideradas abusivas contra integrantes da equipe escolar.
De acordo com a Polícia Civil, pelo menos quatro servidores formalizaram denúncias. Entre eles estavam profissionais da limpeza, um professor e uma ex-coordenadora da unidade.
Ao g1, a ex-diretora Priscilla Gomes Guirra negou todas as acusações. Ela afirmou que nunca ofendeu ninguém dentro ou fora da escola e declarou que atuou por mais de duas décadas na unidade desenvolvendo projetos voltados para acolhimento, diversidade e integração da comunidade escolar.
Segundo ela, as denúncias surgiram durante o período eleitoral para a escolha da direção da escola e espera que todos os elementos sejam analisados pela Justiça durante a tramitação do processo.
A defesa do ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior não foi localizada até a publicação da reportagem.
A Secretaria de Estado da Educação informou que ambos já não fazem parte da rede estadual. Benício atuava por meio de contrato temporário, enquanto Priscilla deixou a função ainda em 2023.
O advogado das vítimas, Suenilson Saulnier, afirmou que recebeu a decisão com naturalidade e espera que os fatos sejam devidamente apurados ao longo da ação penal.
Com a aceitação da denúncia, os acusados deverão apresentar defesa à Justiça dentro do prazo legal. Caso não constituam advogado, a Defensoria Pública será acionada para atuar no processo.
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