O ex-membro da família real britânica Príncipe Andrew foi preso na manhã desta quinta-feira (19), data em que completou 66 anos, no âmbito de uma investigação relacionada ao escândalo envolvendo o financista Jeffrey Epstein. A detenção ocorreu sob suspeita de “má conduta no exercício de cargo público”, acusação que, de acordo com a legislação britânica, pode resultar em pena de prisão perpétua.

A prisão foi confirmada pela Polícia de Thames Valley, responsável pela investigação. Embora as autoridades não tenham divulgado oficialmente o nome do suspeito, a imprensa britânica informou que se trata do irmão do rei Charles III, que perdeu funções oficiais e títulos honorários nos últimos anos após a repercussão de denúncias ligadas ao caso Epstein.

Segundo relatos, viaturas policiais chegaram pela manhã a uma residência localizada na propriedade de Sandringham Estate, no condado de Norfolk, onde Andrew estava hospedado. Agentes também realizaram buscas em endereços adicionais no condado de Berkshire, recolhendo equipamentos eletrônicos e documentos que podem ser relevantes para a investigação.

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A suspeita central envolve o período em que Andrew atuou como representante especial do Reino Unido para Comércio Internacional, cargo ocupado entre 2001 e 2011. Documentos recentemente revelados indicariam que ele teria compartilhado informações confidenciais de governo com Epstein, incluindo relatórios sobre oportunidades de investimento no Afeganistão e detalhes de viagens oficiais à Ásia. O Ministério Público britânico confirmou que está em contato com a polícia sobre o caso.

As novas suspeitas se somam às acusações de abuso sexual que já haviam sido feitas contra o ex-príncipe, principalmente pela americana Virginia Giuffre, que afirmou ter sido explorada sexualmente por Epstein e obrigada a manter relações com Andrew quando era jovem. O caso resultou em um acordo financeiro extrajudicial em 2022, sem admissão de culpa por parte do britânico. Giuffre morreu em 2025, fato que reacendeu debates sobre a responsabilização de figuras poderosas ligadas ao escândalo.

Outras mulheres também relataram episódios semelhantes por meio de advogados nos Estados Unidos, alegando encontros forçados organizados por Epstein em diferentes países, inclusive durante eventos sociais frequentados por membros da elite internacional.

Paralelamente, promotores britânicos mantêm contato com autoridades em outra frente de investigação envolvendo o político trabalhista Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido em Washington, suspeito de também ter compartilhado informações confidenciais com Epstein.

Andrew, filho da falecida rainha Elizabeth II, permanece sob custódia policial enquanto os investigadores analisam as evidências recolhidas. A polícia afirmou que novas atualizações serão divulgadas “no momento apropriado”, ressaltando que o caso está em andamento e que qualquer publicação deve respeitar as regras legais britânicas para evitar prejuízo ao processo judicial.

A prisão representa um dos momentos mais delicados já enfrentados pela monarquia britânica contemporânea, com potenciais repercussões institucionais e políticas tanto no Reino Unido quanto no cenário internacional.