Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos detiveram pelo menos quatro crianças em Minneapolis ao longo do mês de janeiro, segundo denúncia formal da administração regional de escolas. Entre os casos está o de uma criança de cinco anos, aluno da rede pública, que teria sido levada junto do pai durante uma ação realizada na porta da residência da família.

De acordo com o distrito escolar Columbia Heights, responsável pelas escolas da região metropolitana de Minneapolis, os episódios envolveram estudantes de diferentes idades e ocorreram em meio a uma intensificação das operações migratórias no estado de Minnesota. Educadores afirmam que as ações provocaram medo entre alunos, pais e professores, afetando a frequência escolar e o clima nas unidades de ensino.

A superintendência do distrito questiona a conduta dos agentes federais e afirma que crianças não podem ser tratadas como alvos de operações policiais. Relatos indicam que, em pelo menos um caso, o menor foi levado a um centro de detenção fora do estado, no Texas, acompanhado do pai, o que gerou reação imediata de organizações civis e defensores de direitos humanos.

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O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos negou que o ICE tenha como política deter crianças. Segundo a versão oficial, os agentes atuaram apenas contra adultos em situação migratória irregular e permaneceram com menores apenas para garantir sua segurança durante a prisão dos responsáveis legais.

As denúncias surgem em um contexto de forte tensão em Minneapolis, que tem registrado protestos contra a política migratória do governo Donald Trump e contra a atuação das forças federais. A situação se agravou após a morte de uma mulher durante uma operação do ICE, episódio que ampliou a mobilização popular e a presença de agentes federais na cidade.

Mesmo diante das negativas do governo, autoridades escolares e lideranças comunitárias reforçam que os relatos são consistentes e documentados, e cobram investigações independentes. Para educadores, a presença do ICE em ações que envolvem estudantes rompe a confiança entre escolas e famílias imigrantes e coloca em risco o direito básico à educação.