O desaparecimento da estudante de enfermagem mayra silva paula, ocorrido em julho de 2009 em goiânia, continua sendo um dos casos mais intrigantes e dolorosos para a família da jovem. Quase duas décadas depois, a mãe ainda vive sem respostas sobre o que aconteceu naquela madrugada em que a filha saiu do apartamento onde morava e nunca mais voltou.

Mayra tinha 20 anos quando desapareceu no dia 4 de julho de 2009. Ela morava com três amigas no setor pedro ludovico, em goiânia, e cursava enfermagem. Segundo relatos da família e de pessoas próximas, a jovem levava uma vida considerada normal até a noite em que sumiu.

O último contato conhecido aconteceu na madrugada de sábado, por volta de 0h45. Naquele momento, mayra recebeu uma ligação de um telefone público localizado em frente ao prédio onde morava. Após atender a chamada, decidiu descer até a portaria para encontrar a pessoa que havia telefonado. A partir dali, ninguém mais a viu.

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Antes de desaparecer, a jovem deixou uma carta no apartamento para a mãe. No texto, revelou algo que a família ainda não sabia: ela estava grávida. Na mensagem, mayra pediu desculpas e declarou amor à mãe, à irmã ainda bebê e aos demais familiares.

De acordo com a mãe, edlamar rosário da silva oliveira, a filha escreveu que havia tentado resolver um problema, mas não conseguiu. A família chegou a pensar, inicialmente, na possibilidade de suicídio, mas nenhuma evidência foi encontrada.

“suicida a gente encontra o corpo. ela não voltou para casa porque ficou com medo de me contar que estava grávida e talvez pensou que eu não aceitaria”, afirmou a mãe em depoimento.

Na época do desaparecimento, mayra tinha viagem marcada para a cidade de nova glória, onde a família mora. Ela havia comentado com amigas que iria até a casa da mãe acompanhada do então namorado, um policial militar.

A mãe aguardava a chegada da filha naquele fim de semana, algo que era comum acontecer durante feriados e períodos de férias. Porém, naquele dia, mayra não apareceu. As tentativas de contato pelo celular não tiveram resposta.

Após o desaparecimento, apenas um torpedo foi identificado. A mensagem, enviada supostamente pela própria estudante para uma amiga, dizia que ela havia deixado uma carta para a mãe no apartamento.

As investigações começaram ainda em 2009 e ficaram inicialmente sob responsabilidade da polícia civil de goiás, por meio da delegacia de homicídios de goiânia. Ao longo dos anos, diferentes linhas de investigação foram analisadas.

Uma das hipóteses levantadas foi a possibilidade de mayra ter saído do país ou até mesmo ter sido vítima de tráfico humano. Por esse motivo, o processo foi encaminhado à justiça federal.

Durante a investigação, dados de cartórios e unidades hospitalares também foram analisados. A intenção era verificar se a jovem teria dado à luz durante o período em que estava desaparecida. Nenhum registro foi encontrado.

Mesmo sem pistas concretas, o nome da estudante chegou a ser incluído na difusão amarela da interpol, ferramenta usada para localizar pessoas desaparecidas em diversos países. Ainda assim, não houve qualquer informação sobre o paradeiro dela.

O principal suspeito do caso acabou sendo o namorado de mayra na época, um policial militar. Uma amiga da jovem contou à polícia que a estudante teria comentado sobre a gravidez com o companheiro. Segundo o relato, ele teria sugerido que ela realizasse um aborto.

De acordo com o depoimento do próprio policial, os dois conversaram sobre a gravidez e mayra estaria muito nervosa. Ele afirmou que a jovem teria dito que não queria aparecer sozinha na casa da mãe estando grávida.

Nos registros da investigação, o policial confirmou que esteve no apartamento da namorada antes do desaparecimento. Naquele dia, ele se preparava para trabalhar no policiamento da festa de trindade.

Conforme a escala apresentada à polícia, o plantão começou às 13h e terminou às 23h. Depois disso, ele afirmou ter saído da cidade de trindade por volta das 23h15 acompanhado de um colega, que confirmou a versão.

Segundo o relato, o policial deixou o colega em casa, no setor crimeia oeste, e durante o trajeto trocou mensagens com mayra. Um torpedo enviado às 23h49 foi registrado.

Uma testemunha que morava no prédio onde mayra vivia relatou ter visto o carro do policial estacionado em frente ao local naquela mesma noite, um dia antes do desaparecimento.

Apesar das suspeitas, o policial acabou sendo inocentado por falta de provas que comprovassem qualquer participação no desaparecimento da jovem.

A investigação seguiu por anos, mas sem avanços concretos. Em 22 de outubro de 2019, o processo foi oficialmente arquivado.

Para a família, a decisão representou mais um golpe. Segundo o advogado breyner silva, que acompanha o caso, houve falhas e limitações nas investigações feitas ao longo dos anos.

Enquanto isso, o tempo passou sem respostas. O número de telefone de mayra ainda chegou a chamar por algum período após o desaparecimento, mas em 2010 a linha foi cancelada e passou a pertencer a outra pessoa.

Para a mãe, a ausência de notícias continua sendo um sofrimento diário.

“foi só tristeza na minha vida. nunca mais vivi, apenas sobrevivo. são noites sem dormir, sem saber o que aconteceu com minha filha”, disse.

Hoje, quase 18 anos depois, o desaparecimento de mayra silva paula segue sem solução. A família continua esperando que alguma informação possa surgir e ajudar a esclarecer o que aconteceu naquela madrugada em goiânia.