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A Justiça Eleitoral de Goiás reuniu jornalistas, radialistas, profissionais de comunicação e representantes da imprensa nesta sexta-feira (14), no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), durante mais uma edição do Café com Imprensa. O encontro apresentou informações, procedimentos, mudanças nas regras eleitorais e as principais ações que serão desenvolvidas pelo tribunal ao longo das eleições de 2026.
Convidada para acompanhar o evento, a jornalista Rose Oliveira, da coluna Rose Oliveira, esteve presente e acompanhou as apresentações que trataram desde o calendário eleitoral e as regras para cobertura jornalística até os mecanismos de fiscalização, auditoria das urnas eletrônicas, combate à desinformação e ampliação da acessibilidade para o eleitor.
Na abertura, a desembargadora Elizabeth Maria da Silva destacou que a Justiça Eleitoral de Goiás reafirma o compromisso com a transparência, a segurança do processo eleitoral e o amplo acesso à informação. O encontro foi apresentado também como uma oportunidade para fortalecer a relação entre o tribunal e os veículos de comunicação durante um período em que a circulação de informações aumenta de forma significativa.
A relação com a imprensa foi um dos pontos centrais do encontro. A Justiça Eleitoral reforçou que os veículos de comunicação têm papel estratégico não apenas na cobertura das candidaturas e dos acontecimentos políticos, mas também na orientação do eleitor e na identificação de informações falsas ou distorcidas.
Durante a apresentação, representantes do TRE-GO destacaram que o calendário eleitoral começa muito antes do dia da votação e que, para 2026, a comunicação com a sociedade será uma das frentes fundamentais para garantir que o eleitor tenha acesso a informações corretas.
Propaganda eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto
Entre as datas apresentadas aos jornalistas, uma das mais importantes é 16 de agosto, quando passa a ser permitida oficialmente a propaganda eleitoral.
A partir dessa data, candidatos e partidos estarão submetidos às regras específicas da legislação eleitoral para divulgação de campanhas, incluindo propaganda na internet, além das normas relacionadas ao rádio e à televisão.
A Justiça Eleitoral também chamou a atenção para uma questão que pode gerar dúvidas na cobertura jornalística: a diferença entre pré-campanha, cobertura jornalística e propaganda eleitoral.
A desembargadora Aline Vieira Tomasi Protasio, que integra o tribunal e atua diretamente nas questões relacionadas à propaganda eleitoral, explicou que a legislação permite determinadas manifestações de pré-candidatos antes do início oficial da campanha. Em 2026, segundo ela, também existem novidades relacionadas às manifestações político-eleitorais espontâneas em ambientes como universidades, movimentos sociais, espaços comunitários e escolas, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Para a imprensa, o cuidado deve estar justamente na fronteira entre informação jornalística e tratamento que possa caracterizar propaganda.
Segundo a desembargadora, noticiar candidaturas, propostas, realizar entrevistas e acompanhar atos políticos, em princípio, não configura propaganda eleitoral. Entretanto, a cobertura precisa observar equilíbrio e evitar tratamento privilegiado a determinado candidato, partido, coligação ou federação.
A orientação apresentada aos profissionais de comunicação foi direta: transparência.
A Justiça Eleitoral considera importante que os veículos tenham critérios claros para suas entrevistas e coberturas, especialmente quando houver seleção de candidatos. A escolha de entrevistar nomes que aparecem melhor posicionados em pesquisas, por exemplo, não configura automaticamente tratamento privilegiado, desde que não haja abuso ou excesso e que a entrevista mantenha efetivamente caráter jornalístico.
Lives, debates e pesquisas exigem atenção
Outro ponto apresentado durante o Café com Imprensa foi a cobertura de transmissões ao vivo realizadas por candidatos.
De acordo com as orientações apresentadas, a reprodução integral de determinadas lives pode caracterizar propaganda eleitoral realizada pelo próprio veículo de comunicação. A cobertura jornalística de trechos, por outro lado, pode ser feita desde que observados os critérios de isenção e ausência de tratamento privilegiado.
Os debates eleitorais também possuem regras próprias.
No primeiro turno, o último dia permitido para debates foi apresentado como 1º de outubro, com possibilidade de extensão até as 7h do dia seguinte, caso o debate ainda esteja em andamento. Em eventual segundo turno, a regra apresentada é mais rígida: o debate deverá ser encerrado no dia 23 de outubro, sem extensão para o dia seguinte.
As pesquisas eleitorais também receberam atenção especial.
A Justiça Eleitoral informou que vem recebendo questionamentos relacionados a pesquisas que podem apresentar irregularidades e alertou os veículos de comunicação sobre os riscos de reproduzir levantamentos que estejam sob questionamento ou tenham determinação de retirada de circulação.
A orientação é que a imprensa verifique se a pesquisa foi devidamente registrada e se existe alguma decisão judicial relacionada à sua divulgação.
O alerta também se estende às enquetes e sondagens. A partir de 16 de agosto, a realização de enquetes ou sondagens eleitorais passa a ser proibida, conforme explicado durante o encontro.
Combate à desinformação será um dos grandes desafios
A desinformação foi apontada pelo desembargador Laudo Natel Mateus como um dos principais desafios da Justiça Eleitoral para as eleições de 2026.
O magistrado chamou atenção especialmente para o crescimento do uso de inteligência artificial e das chamadas deepfakes, capazes de criar imagens, áudios e vídeos extremamente realistas de pessoas dizendo ou fazendo algo que nunca fizeram.
O problema, segundo ele, ultrapassa a simples divulgação de uma informação falsa. O risco está na velocidade com que um conteúdo pode ser produzido, compartilhado e alcançar milhares ou milhões de pessoas antes que haja tempo suficiente para verificar sua autenticidade.
O desembargador citou como exemplo hipotético uma situação em que, às vésperas da eleição, um candidato aparecesse em um vídeo falso anunciando uma desistência ou recomendando que eleitores não comparecessem às urnas. Uma produção desse tipo poderia gerar consequências de grandes proporções em um intervalo extremamente curto.
A preocupação aumenta diante da capacidade de segmentação das plataformas digitais e do uso de dados para direcionar conteúdos específicos a determinados grupos.
Segundo a exposição apresentada no evento, as plataformas disputam principalmente o tempo e a atenção dos usuários, enquanto o comportamento das pessoas nas redes fornece informações que podem ser utilizadas para direcionamento de conteúdo.
O cenário se torna ainda mais complexo com a inteligência artificial.
Para a Justiça Eleitoral, combater desinformação produzida ou potencializada por tecnologia exige também capacidade tecnológica para identificar e responder rapidamente aos conteúdos potencialmente lesivos à integridade do processo eleitoral.
Ferramenta de combate à desinformação
Durante o encontro também foi apresentada uma ferramenta desenvolvida pelo TRE-GO em parceria com a FGV, voltada ao auxílio no combate à desinformação relacionada ao processo eleitoral.
A proposta é auxiliar a Justiça Eleitoral na identificação e no esclarecimento de informações relacionadas ao sistema eleitoral, aos integrantes da Justiça Eleitoral e à confiabilidade do processo de votação.
O desembargador destacou que desinformação não deve ser compreendida apenas como uma mentira. O elemento relevante, segundo a explicação apresentada, é a existência de uma informação falsa ou distorcida com potencial de causar dano.
O objetivo, portanto, é permitir que a população tenha acesso a esclarecimentos e informações confiáveis, especialmente em relação ao funcionamento do sistema eleitoral.
Seu Voto Importa amplia acesso às urnas
Um dos principais anúncios apresentados durante o Café com Imprensa foi o programa Seu Voto Importa, iniciativa de transporte eleitoral gratuito destinada a eleitores que enfrentam dificuldades para chegar aos locais de votação.
O desembargador eleitoral Adenir Teixeira Peres Junior explicou que o programa já está estruturado e que o formulário eletrônico para solicitação do serviço está disponível no portal do TRE.
A iniciativa prevê transporte de ida e volta entre a residência do eleitor e o local de votação, além da possibilidade de acompanhante quando necessário.
O programa contempla pessoas com deficiência física, intelectual, visual ou auditiva; pessoas com mobilidade reduzida ou dificuldade de locomoção; gestantes; lactantes; pessoas acamadas; moradores de territórios indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais, incluindo eleitores que vivem em áreas rurais.
A Justiça Eleitoral também informou que está realizando articulações com entidades e instituições para ampliar a estrutura disponível.
Entre as ações estão tratativas com a companhia metropolitana de transporte coletivo, Associação Goiana de Municípios e Tribunal de Justiça de Goiás, além do levantamento realizado junto aos juízes eleitorais para identificar a estrutura de transporte existente em cada zona eleitoral.
A intenção é fazer um planejamento baseado na realidade de cada município.
Para quem tiver dificuldade de utilizar a internet, a orientação é procurar o cartório eleitoral, onde o servidor poderá auxiliar no preenchimento da solicitação.
A data apresentada no evento para encerramento das solicitações foi 14 de setembro de 2026, sendo reforçada a necessidade de divulgação do programa.
O desembargador ressaltou que de nada adianta existir o transporte se o eleitor não souber que o serviço está disponível.
É justamente nesse ponto que a imprensa ganha papel decisivo: levar a informação até quem precisa dela.
Auditoria das urnas terá cobertura aberta à imprensa
Outro destaque apresentado no encontro foi o sistema de auditoria das urnas eletrônicas.
Representando a Comissão de Auditoria do Voto Eletrônico, o servidor Márcio Antônio Duarte Oliveira explicou como serão realizados os testes durante as eleições.
Para 2026, está previsto o sorteio de 27 urnas eletrônicas para o teste de integridade.
As urnas serão sorteadas na véspera da eleição e poderão ser retiradas de diferentes regiões do estado. Depois, serão levadas para o local definido para a auditoria, onde serão submetidas a uma votação controlada.
A ideia é comparar os votos inseridos durante o teste com o resultado apresentado pela própria urna.
Para a auditoria, serão utilizadas cédulas oficiais com candidatos reais. Os votos inseridos têm finalidade exclusiva de teste e não interferem na votação oficial.
Duas das 27 urnas também passarão por um teste utilizando a biometria real de eleitores convidados. O objetivo é verificar o funcionamento do processo de habilitação do voto por meio da identificação biométrica.
Além do teste de integridade, outras urnas serão submetidas ao teste de autenticidade.
Nesse procedimento, uma mídia oficial é utilizada para verificar os programas instalados na urna eletrônica. A verificação busca confirmar se os softwares presentes são aqueles oficiais da eleição e se a própria urna possui as características de autenticidade esperadas pela Justiça Eleitoral.
O processo poderá ser acompanhado por entidades fiscalizadoras, partidos políticos, Ministério Público e demais instituições previstas na regulamentação.
Também está prevista a participação de uma empresa de auditoria externa para acompanhar o trabalho.
Auditoria será realizada no Liceu de Goiânia
Uma novidade destacada durante a apresentação é a mudança do local da auditoria.
Segundo Márcio Antônio Duarte Oliveira, a Comissão escolheu o Liceu de Goiânia para a realização dos testes em 2026, justamente por ser um local com grande quantidade de sessões eleitorais e maior possibilidade de visibilidade pública.
A proposta é aproximar a auditoria do eleitor.
As urnas utilizadas no teste serão filmadas durante todo o procedimento, desde o acionamento até a emissão do último relatório.
As imagens também serão disponibilizadas ao público por transmissão ao vivo no canal do tribunal no YouTube.
A programação deverá acompanhar o período da votação, permitindo que a população veja não apenas o funcionamento das sessões eleitorais, mas também uma etapa de fiscalização que acontece paralelamente.
Imprensa terá acesso a estrutura durante o dia da eleição
A Secretaria de Comunicação do TRE-GO também apresentou aos jornalistas um calendário de atividades e canais específicos de comunicação com a imprensa.
No dia da eleição, a partir das 8 horas, o tribunal estará preparado para receber profissionais de comunicação que precisarem realizar transmissões, entrevistas e cobertura jornalística.
A estrutura externa também deverá prever espaços para veículos de imprensa e unidades móveis de televisão.
A orientação é que os pedidos de estrutura sejam encaminhados previamente ao tribunal.
A comunicação entre imprensa e Justiça Eleitoral deverá ser fortalecida por meio de sistemas específicos, grupos de comunicação e canais destinados ao esclarecimento de dúvidas.
O objetivo é agilizar respostas, principalmente durante o período eleitoral, quando uma informação pode perder relevância em questão de minutos.
Pardal será canal para denúncias
Outro instrumento apresentado foi o aplicativo Pardal, utilizado para o encaminhamento de denúncias relacionadas à propaganda eleitoral irregular.
A ferramenta estará disponível para que cidadãos comuniquem situações que possam violar as regras eleitorais.
Durante a apresentação, também foram detalhadas restrições para propaganda em bens públicos e bens de uso comum.
Escolas públicas, postes, pontos de táxi, bancas de jornal e outros espaços públicos não podem receber propaganda eleitoral.
A vedação também se aplica a bens de uso comum, ainda que privados, como lojas, shoppings, clubes, cinemas, templos, ginásios e estádios.
Em propriedades particulares, a propaganda pode ocorrer desde que seja espontânea e gratuita, sem pagamento ou vantagem.
Novas regras para propaganda em 2026
As eleições deste ano também apresentam mudanças e detalhamentos específicos.
Uma das novidades mencionadas é a possibilidade expressamente prevista de distribuição de material de campanha em espaços públicos abertos, como praças, vias públicas, feiras livres e parques.
A atividade, entretanto, não pode impedir ou dificultar a circulação das pessoas.
Os materiais impressos de campanha também precisam apresentar informações de identificação, incluindo dados relacionados à produção e contratação.
Outra novidade apresentada é a necessidade de oferta de material em Braille, observando a proporção estabelecida de acordo com o eleitorado com deficiência visual na respectiva circunscrição.
Em Goiás, foi apresentado durante o encontro o percentual de 0,16% referente ao eleitorado mencionado na exposição.
Assédio eleitoral no ambiente de trabalho entra no radar
A Justiça Eleitoral também chamou atenção para uma questão que passa a receber destaque específico nas regras de 2026: o assédio eleitoral no ambiente de trabalho, tanto público quanto privado.
A legislação prevê consequências para quem praticar ou permitir condutas relacionadas à propaganda eleitoral ou ao assédio eleitoral no ambiente profissional.
O tema foi apresentado como uma situação que já ocorre em períodos eleitorais e que passa a contar com previsão expressa no regramento deste pleito.
Também foram reforçadas as restrições aplicáveis aos agentes públicos.
Servidores não podem utilizar bens, materiais, serviços, estrutura ou tempo de trabalho em benefício de campanha eleitoral.
A imprensa como parte da democracia
Ao longo do Café com Imprensa, uma mensagem apareceu de diferentes formas nas falas dos integrantes do TRE-GO: a imprensa é uma das principais pontes entre a Justiça Eleitoral e o eleitor.
A comunicação correta do calendário, das regras, das mudanças e dos serviços oferecidos pode ser determinante para que o cidadão consiga exercer plenamente seus direitos.
O encontro também serviu para aproximar os profissionais de comunicação dos responsáveis por diferentes áreas do processo eleitoral, criando canais para esclarecimento de dúvidas e orientação antes que informações incorretas sejam levadas ao público.
A Secretaria de Comunicação apresentou ainda materiais informativos, QR Codes e ferramentas que serão disponibilizados aos profissionais, incluindo conteúdos sobre dados eleitorais, histórico das eleições e informações atualizadas do eleitorado goiano.
A intenção é que esses dados possam ser consultados e atualizados ao longo do processo eleitoral.
Um calendário que começa antes da urna
Além de 16 de agosto, outras datas foram apresentadas aos jornalistas como pontos importantes do calendário eleitoral.
O dia 28 de agosto marca o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Em setembro, o programa Seu Voto Importa entra em uma etapa decisiva para receber as solicitações de transporte.
Também estão previstos eventos de preparação, auditoria, sorteio de urnas e atividades voltadas à transparência do processo eleitoral.
O grande dia será 4 de outubro, data da votação do primeiro turno.
O TRE-GO também já trabalha com a possibilidade de segundo turno, caso necessário, com nova etapa de preparação e acompanhamento.
No calendário apresentado durante o evento, 25 de outubro aparece como data prevista para eventual segundo turno.
Democracia também se faz com informação
O Café com Imprensa realizado nesta sexta-feira mostrou que a eleição não começa no momento em que o eleitor entra na cabine de votação.
Ela começa muito antes, com preparação, fiscalização, comunicação, definição de regras, treinamento, auditoria, acessibilidade, logística e informação.
Para a imprensa, o desafio é acompanhar esse processo sem perder de vista a responsabilidade de informar.
Para a Justiça Eleitoral, o desafio é garantir que o eleitor encontre segurança e informação confiável em meio a um ambiente cada vez mais acelerado, especialmente nas redes sociais.
E para o cidadão, permanece o direito fundamental de participar do processo eleitoral com liberdade e acesso à informação.
A presença da coluna Rose Oliveira,, no Café com Imprensa reforça também a importância do jornalismo regional na cobertura das eleições de 2026 em Goiás.
Em um cenário marcado por inteligência artificial, deepfakes, redes sociais, mensagens instantâneas e circulação instantânea de conteúdos, a informação jornalística ganha ainda mais peso.
A eleição será decidida pelo voto, mas o caminho até ele passa, inevitavelmente, pela informação.
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