A USA Rare Earth (USAR) anunciou nesta segunda-feira (24) a conclusão da ampliação da capitalização de uma empresa criada especificamente para viabilizar a aquisição da produção da Fase 1 da Serra Verde, em Minaçu, no norte de Goiás. O montante chegou a US$ 1,55 bilhão e reúne recursos do governo dos Estados Unidos e de instituições privadas.

A operação representa mais um passo para a conclusão da fusão entre a USA Rare Earth e a Serra Verde. O negócio foi anunciado em abril deste ano e prevê que a companhia norte-americana passe a controlar a mina Pela Ema, em Minaçu.

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos elevou sua participação na estrutura financeira para US$ 750 milhões, US$ 250 milhões acima do compromisso inicial. O acordo também prevê mecanismos de pagamento mínimo garantido e preços mínimos para produtos de terras raras.

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Além dos recursos governamentais, a estrutura financeira recebeu uma carta de compromisso de um banco institucional para uma linha de crédito rotativa sênior garantida de até US$ 500 milhões. O recurso deverá ser utilizado como capital de giro para a aquisição de produtos de terras raras da Serra Verde Management Switzerland.

Outro acordo prevê que o governo norte-americano compre pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.

Mina estratégica em Goiás

Com a conclusão da aquisição, a USA Rare Earth deverá assumir o controle da mina Pela Ema, em Minaçu. A empresa considera o empreendimento estratégico para a formação de uma cadeia de fornecimento de terras raras fora da Ásia.

A Serra Verde é apontada pela companhia como um dos projetos mais avançados do setor e como produtora comercial de quatro elementos magnéticos considerados estratégicos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Esses minerais são utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, robótica, data centers, equipamentos aeroespaciais, sistemas de defesa, geração de energia e equipamentos médicos.

O contrato de fornecimento prevê a compra de 100% da produção da Fase 1 da Serra Verde durante 15 anos. O acordo também estabelece preços mínimos para elementos magnéticos como disprósio e térbio.

Segundo Michael Blitzer, presidente-executivo da USA Rare Earth, o apoio financeiro dos Estados Unidos fortalece a estratégia de criação de uma cadeia de suprimentos considerada segura e resiliente.

A empresa afirma que mais de US$ 1 bilhão já foi investido na Serra Verde.

Fusão ainda depende de aprovação

Apesar do avanço financeiro, a fusão ainda não está concluída. A assembleia extraordinária de acionistas da USAR está marcada para sexta-feira (28), às 10h, pelo horário do leste dos Estados Unidos.

A expectativa da companhia é concluir a transação logo após a assembleia, desde que todas as condições previstas no acordo sejam cumpridas.

Os acionistas da Serra Verde já aprovaram a fusão por meio de consentimento escrito. Eles não receberão declaração de procuração ou prospecto relacionados à votação.

A USA Rare Earth informou, no entanto, que a conclusão da operação não é garantida. A empresa destacou que a fusão pode sofrer atrasos ou até não ser concretizada caso os acionistas não aprovem a operação ou outras condições de fechamento não sejam cumpridas.

Cadeia de terras raras

A aquisição da Serra Verde faz parte de uma estratégia maior da USA Rare Earth para integrar diferentes etapas da cadeia de produção de minerais estratégicos.

Além do projeto em Goiás, a empresa possui participação na Less Common Metals, especializada na produção de metais e ligas de terras raras, e desenvolve uma fábrica de ímãs em Stillwater, no estado norte-americano de Oklahoma.

A companhia também explora o depósito Round Top, no Texas, e planeja ampliar sua capacidade de fabricação de ímãs.

A estratégia busca reduzir a dependência de fornecedores asiáticos e criar uma cadeia integrada entre mineração, processamento e fabricação de produtos de alto valor agregado.

Riscos ainda estão no radar

No comunicado, a USA Rare Earth também apresentou uma série de fatores que podem afetar a operação. Entre eles estão riscos políticos, econômicos, regulatórios e cambiais relacionados às atividades no Brasil e na Suíça.

A empresa também citou a possibilidade de mudanças no apoio financeiro do governo norte-americano, dificuldades para obtenção do financiamento de US$ 500 milhões, alterações nas políticas comerciais e impactos provocados por decisões da China e dos Estados Unidos sobre o setor.

Outro ponto destacado é a necessidade de investimentos adicionais para ampliar a produção e desenvolver as unidades industriais destinadas à fabricação de ímãs.

A companhia também alertou para possíveis oscilações no preço das ações, custos acima do previsto, dificuldades na obtenção de matérias-primas e serviços, além da necessidade de captar novos recursos.

A operação, portanto, ainda depende da aprovação dos acionistas da USAR e do cumprimento das demais condições previstas no acordo de fusão.