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Goiás registrou 13.320 afastamentos por transtornos mentais ao longo de 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O número acompanha uma tendência nacional de crescimento nos casos relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho.
Em todo o país, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária associados a transtornos mentais no mesmo período. O volume representa aumento de 15,66% em relação a 2024, que já havia registrado o maior índice da última década.
Entre os diagnósticos mais frequentes estão ansiedade e depressão. As mulheres correspondem a 64% dos afastamentos no Brasil, de acordo com os dados oficiais.
Especialistas apontam que o adoecimento mental está associado a fatores como sobrecarga de trabalho, pressão por resultados, jornadas extensas, insegurança profissional e conflitos no ambiente corporativo. Profissionais submetidos a alta exigência emocional e baixa autonomia estão entre os mais expostos.
Casos acompanhados por profissionais da área de saúde indicam que os sintomas costumam surgir de forma gradual. Entre os sinais mais comuns estão insônia, irritabilidade, crises de choro, dificuldade de concentração e afastamento social. Em situações mais graves, há necessidade de afastamento e acompanhamento médico.
De acordo com a médica psiquiatra Renata Pedroso Carvalho, o tratamento dos transtornos mentais exige abordagem multidisciplinar, que pode envolver uso de medicação e psicoterapia. Ela ressalta que, além do cuidado clínico, é necessário considerar as condições de trabalho do paciente.
No campo jurídico, o adoecimento relacionado ao trabalho pode ser enquadrado como acidente de trabalho, desde que seja comprovado o vínculo entre a atividade exercida e o problema de saúde. Nesses casos, o trabalhador pode ter direito à estabilidade provisória após o retorno, manutenção do FGTS durante o afastamento e eventual indenização.
A comprovação desse vínculo depende da apresentação de documentos como laudos médicos, registros de jornada, comunicações internas e outros elementos que demonstrem as condições enfrentadas no ambiente profissional.
A partir de maio de 2026, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego. A nova regra estabelece que as empresas devem identificar, registrar e adotar medidas para reduzir riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A norma amplia a responsabilidade das empresas na gestão da saúde ocupacional, incluindo fatores relacionados ao bem-estar psicológico dos trabalhadores. A exigência passa a integrar as diretrizes de segurança e saúde no trabalho já previstas na legislação.
Dados recentes também indicam mudança no perfil dos afastamentos no país. Entre 2023 e 2025, houve aumento significativo nas aposentadorias por invalidez relacionadas a transtornos mentais, passando de 1.849 para 5.358 casos.
Os números reforçam a ampliação da presença de questões de saúde mental entre as causas de afastamento laboral, cenário que vem sendo acompanhado por órgãos públicos e especialistas.
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