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Uma bebê de aproximadamente 50 dias de vida foi internada com diversas fraturas pelo corpo após dar entrada no Hospital Municipal de Morrinhos, no sul de Goiás. Diante da gravidade das lesões, a equipe médica acionou o Serviço Social da unidade, que comunicou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar. O pai e a mãe da criança foram presos em flagrante por suspeita de maus-tratos. Posteriormente, a mulher foi colocada em liberdade, enquanto o homem permaneceu preso.
O caso ocorreu na última sexta-feira (31). Segundo a direção do Hospital Municipal de Morrinhos, a criança foi levada à unidade pelo pai, que chegou com a bebê em um carrinho e informou aos profissionais de saúde que ela estava chorando muito e aparentava sentir fortes dores.
Ainda durante o atendimento inicial, a equipe médica percebeu um inchaço na região do ombro da bebê. Diante da suspeita de lesões, foi solicitado um exame de raio-X, que revelou múltiplas fraturas nos dois lados do corpo. A criança apresentava fraturas nas duas clavículas, nos dois úmeros e também nos rádios e ulnas, ossos localizados nos antebraços.
Segundo a direção da unidade hospitalar, a situação chamou imediatamente a atenção dos médicos devido à idade da paciente.
"Quando a médica viu um bebê de apenas 50 dias com esse tipo de lesão, percebeu que não era uma situação compatível com um acidente comum. A liderança do plantão foi acionada e, em seguida, o Serviço Social comunicou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar", informou a administração do hospital.
Além das fraturas, a bebê também apresentava diversos inchaços pelo corpo. De acordo com o major Vinícius de Araújo Camargo, da Polícia Militar, as imagens dos exames impressionaram até mesmo os profissionais envolvidos na ocorrência.
"As imagens são chocantes. Você vê um corpo muito pequeno apresentando diversas fraturas ósseas", afirmou o oficial.
Por causa da complexidade do quadro clínico, a bebê foi transferida no mesmo dia para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, onde permanece sob cuidados médicos especializados. O estado de saúde da criança não foi divulgado.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil. Segundo o delegado Fabiano Jacomelis, responsável pelo caso, o homem que levou a bebê ao hospital foi quem realizou o registro da criança no nascimento. O pai biológico, porém, ainda não havia sido ouvido até a divulgação das informações.
Conforme o delegado, o casal foi autuado em flagrante devido às graves lesões identificadas na bebê e às contradições apresentadas durante os depoimentos.
Inicialmente, o homem informou aos profissionais do hospital que a criança havia permanecido sob os cuidados de outras crianças enquanto chorava muito. Posteriormente, durante o atendimento policial, apresentou outra versão, afirmando que ele e a companheira teriam viajado para o Mato Grosso e deixado a bebê sob os cuidados de uma terceira pessoa por aproximadamente 13 dias.
A mãe, entretanto, apresentou uma versão diferente, afirmando que a viagem teria durado apenas dois dias. Segundo a Polícia Civil, ambos informaram apenas o primeiro nome da pessoa que supostamente ficou responsável pela criança, sem fornecer endereço, telefone ou qualquer informação que permitisse sua localização.
As divergências nos relatos reforçaram as suspeitas dos investigadores, que agora trabalham para identificar essa terceira pessoa e esclarecer como a bebê sofreu tantas lesões em um período tão curto de vida.
A Polícia Civil continua apurando o caso e não descarta novas responsabilizações à medida que o inquérito avance. A investigação busca esclarecer quem estava efetivamente responsável pela bebê no momento em que as fraturas ocorreram e se houve participação de outras pessoas nos maus-tratos.
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