A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (24) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está disposto a recorrer à força letal contra o Irã “se necessário”, embora a diplomacia continue sendo, segundo o governo, a primeira opção.

A declaração foi feita pela porta-voz Karoline Leavitt, em meio à escalada de tensão entre Washington e Teerã e à expectativa sobre uma decisão que pode redefinir o equilíbrio no Oriente Médio. De acordo com a rede americana CBS News, Trump deve bater o martelo sobre um eventual ataque após a rodada de negociações nucleares marcada para quinta-feira (26), em Genebra.

A avaliação final do presidente será baseada nos relatos de Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, e de Jared Kushner, conselheiro e genro de Trump. Os dois são apontados como principais interlocutores nas tratativas e devem se reunir com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.

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Segundo o jornal britânico The Guardian, Witkoff e Kushner vão informar ao presidente se consideram que o Irã demonstra interesse real em fechar um novo acordo nuclear ou se estaria apenas ganhando tempo enquanto fortalece sua posição estratégica.

Enquanto a diplomacia avança sob pressão, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na região, com reforço naval e aéreo voltado à detecção de ameaças. A movimentação ocorre paralelamente a exercícios militares iniciados pela Guarda Revolucionária do Irã no Golfo Pérsico, envolvendo mísseis, drones, forças especiais e artilharia.

Do lado iraniano, o líder supremo, Ali Khamenei, mantém o discurso de resistência diante das pressões americanas. A retórica firme de Teerã contrasta com o aumento da impaciência em Washington.

Reportagens da imprensa americana indicaram que o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, teria alertado Trump sobre os riscos de uma campanha militar prolongada contra o Irã, incluindo retaliações diretas ou por meio de aliados regionais e a possibilidade de um conflito duradouro. Em resposta, Trump afirmou em sua rede social que o general não se opõe a uma ação militar e que, caso ela ocorra, seria “uma vitória fácil”.

Nos bastidores, porém, cresce a preocupação com os efeitos de ataques limitados que possam desencadear uma escalada maior. Fontes ouvidas por veículos como CBS News e Axios apontam que uma ofensiva inicial poderia abrir caminho para um confronto regional mais amplo, exigindo mais tropas, mais recursos e maior envolvimento americano.

A frustração do presidente estaria ligada à incerteza sobre a eficácia de um ataque. Segundo relatos, Trump quer garantias de que qualquer ação militar seja suficientemente impactante para forçar o Irã a negociar em termos mais favoráveis aos Estados Unidos. Ele já indicou que poderá ordenar um ataque caso as negociações nucleares fracassem.

O momento é delicado. A combinação de pressão militar, diplomacia tensa e demonstrações de força dos dois lados cria um ambiente de alta volatilidade. Se as negociações avançarem, o cenário pode se estabilizar temporariamente. Se falharem, o Oriente Médio pode entrar em uma nova fase de confronto direto entre Washington e Teerã, com impactos globais na segurança e na economia.