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A chuva chegou a Goiânia no início da noite desta segunda-feira (24), após dias de calor intenso e depois de a capital registrar a maior temperatura do Brasil no mesmo dia. Moradores registraram a mudança repentina no tempo e o avanço de nuvens carregadas em diferentes pontos da cidade, incluindo a Avenida T-9.
Segundo a meteorologista Elizabete Alves, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva chegou antes do previsto pelos modelos meteorológicos. O sistema se deslocou rapidamente e antecipou a previsão inicial.
“Acabou que deslocou bem rápido e chegou hoje, não amanhã. Ele deu uma antecipada e os modelos não conseguiram acompanhar”, explicou a especialista.
Apesar de ocorrer em um período normalmente marcado pela estiagem, a chuva em agosto não está completamente fora do padrão climático de Goiânia. De acordo com o Inmet, a média climatológica do mês na capital é de 9,5 milímetros, embora alguns anos apresentem volumes superiores.
As precipitações registradas na segunda quinzena de agosto são tradicionalmente conhecidas como “chuva do caju”. O fenômeno pode ocorrer mesmo durante períodos de temperaturas elevadas e baixa umidade.
A mudança temporária no tempo também está relacionada à formação de instabilidades favorecidas por um canal de umidade associado a um “cavado”, termo utilizado para descrever uma circulação de ventos em níveis altos da atmosfera.
“É um desses ventos em altos níveis que contribui para o aglomerado ali de mais umidade”, afirmou Elizabete.
A previsão indica maior possibilidade de chuva nas regiões centro-sul e sudoeste de Goiás, com possibilidade de ocorrência também no oeste e no sudeste do estado. Entre os municípios que podem registrar precipitações estão Jataí, Rio Verde, Mineiros, Chapadão do Céu, São Simão e Itumbiara.
Segundo a meteorologista, porém, a previsão não significa que todas essas cidades necessariamente terão chuva. Em algumas localidades, o aumento da nebulosidade e da umidade pode ocorrer sem registro de precipitação.
Os volumes previstos são considerados baixos e pontuais, variando entre 2 e 5 milímetros, com possibilidade de picos localizados de até 10 milímetros.
A umidade relativa do ar, que pode chegar a aproximadamente 15% durante os períodos mais secos, também tende a apresentar uma melhora temporária, podendo ficar entre 20% e 25%.
O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) também aponta que as chuvas previstas devem ser isoladas e passageiras. A combinação entre o aumento da umidade e as temperaturas elevadas pode favorecer a formação de áreas de instabilidade.
A ocorrência dessas chuvas, no entanto, não representa uma mudança definitiva no cenário de estiagem em Goiás. A tendência é de que as precipitações ocorram de maneira irregular e localizada, enquanto o calor continue predominando em boa parte do estado.
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