Cinco guardas civis municipais de Santa Helena de Goiás se tornaram réus pelos crimes de tortura, sequestro e ameaça contra duas pessoas após uma operação realizada em março deste ano. A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e determinou o afastamento dos agentes do exercício da função pública enquanto o processo tramita.

Os denunciados são Camila Maria Soares, Dieilis Ronieli Serpa, Huan Felipe de Castro Batista, Johnathan Ramon Freitas Alves e Matheus Souza Rabelo. Além do afastamento, a Justiça proibiu que eles mantenham qualquer contato com as vítimas ou com seus familiares.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os fatos ocorreram na madrugada de 11 de março, quando os guardas entraram em uma residência no Bairro Brasil, em Santa Helena de Goiás, sem autorização judicial. A ação teria sido motivada por uma denúncia recebida por meio de uma mensagem de WhatsApp que apontava a existência de tráfico de drogas na região.

Leia Também:

Conforme o MPGO, dentro da casa um homem e uma mulher foram submetidos a agressões físicas e psicológicas durante a abordagem. A mulher teria sido arrastada e atingida com coronhadas no rosto enquanto era pressionada a revelar onde estariam entorpecentes.

Já o homem, segundo a acusação, foi algemado, teve o rosto coberto por um pano e sofreu sucessivos espancamentos e episódios de asfixia. O Ministério Público afirma que ele chegou a perder a consciência e foi reanimado com água para que as agressões continuassem.

Ainda de acordo com a denúncia, ao presenciar a violência contra a mulher, o homem indicou aos agentes onde estavam algumas pedras semelhantes a crack, que foram recolhidas pelos guardas.

O Ministério Público também relata que, após a abordagem na residência, três dos denunciados utilizaram uma viatura que estaria oficialmente fora de operação para levar o homem até uma área de mata. No local, as agressões teriam continuado e um dos guardas efetuou um disparo próximo ao ouvido da vítima. Em seguida, teria tentado atirar novamente, mas a arma falhou. O homem conseguiu fugir pela vegetação.

A mulher também teria sido ameaçada para que não denunciasse o ocorrido às autoridades.

Segundo a advogada das vítimas, Rosemere de Oliveira Santos, o homem ainda enfrenta consequências físicas e psicológicas decorrentes das agressões. Ela afirmou que o cliente perdeu a visão de um dos olhos e precisou deixar Santa Helena de Goiás por medo de represálias.

No pedido encaminhado à Justiça, o Ministério Público requer a condenação dos cinco agentes, a perda dos cargos públicos, a proibição do exercício de funções públicas e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 50 mil às vítimas.

Em nota, a Guarda Civil Municipal de Santa Helena de Goiás informou que cumpriu a decisão judicial, afastou os servidores envolvidos e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos agentes.

A defesa dos guardas declarou que o recebimento da denúncia representa apenas o início da ação penal e não significa condenação. Os advogados afirmaram que irão contestar todas as acusações durante o andamento do processo.

Já a Associação das Guardas Civis do Estado de Goiás (AGCGO) manifestou confiança na conduta funcional e na idoneidade dos agentes envolvidos, destacando que acompanhará o caso durante a tramitação judicial.