O desabamento de um lar de idosos no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte, terminou com 12 mortes. Na manhã desta sexta-feira (6), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais localizou o corpo da última vítima que ainda estava desaparecida entre os escombros da construção.

A vítima é uma idosa de 77 anos. De acordo com os bombeiros, o resgate foi considerado extremamente complexo. A equipe precisou acessar um ponto abaixo do nível da estrutura original, onde a vítima foi encontrada após a queda de parte da laje.

Segundo o tenente Elias Cristóvão, o quarto onde a idosa estava sofreu uma perfuração estrutural durante o colapso do prédio. Com a quebra da laje, ela acabou caindo para um andar inferior, o que dificultou a localização inicial durante as buscas.

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Para chegar até o local, as equipes precisaram remover escombros e acessar o subsolo da construção. A operação mobilizou mais de 100 militares e equipamentos especializados de busca e salvamento. Quando foi localizada, a vítima já estava sem sinais vitais.

Ao todo, 29 pessoas foram afetadas pelo desabamento do imóvel. Do total, 12 morreram, oito foram resgatadas com vida pelos bombeiros e nove conseguiram sair do prédio antes do colapso da estrutura.

A tragédia mobilizou equipes de resgate, ambulâncias e órgãos de segurança ao longo de mais de um dia de trabalho intenso. Após a localização da última vítima, a fase de buscas foi oficialmente encerrada.

Agora o foco das autoridades passa a ser a investigação das causas do desabamento. A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que existem indícios preliminares de que algum tipo de intervenção humana possa ter contribuído para o colapso da estrutura.

A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um inquérito para investigar o caso. A perícia técnica será realizada no local assim que a área for liberada pelo Corpo de Bombeiros. Os laudos deverão apontar se o desabamento foi causado por falhas estruturais, intervenções na construção ou eventual negligência.

Informações preliminares indicam que uma obra de ampliação poderia estar sendo realizada no imóvel. Apesar disso, a Polícia Civil afirma que ainda é cedo para confirmar qualquer relação direta entre essa possível intervenção e a queda do prédio.

Todos os corpos das vítimas já foram encaminhados ao Instituto Médico Legal e liberados para as famílias. As identidades ainda não foram divulgadas oficialmente.

A coordenação do lar de idosos, chamado Pró-Vida, afirmou que o local possuía alvará de funcionamento válido até 2030 e que a última vistoria da Vigilância Sanitária havia sido realizada em janeiro deste ano. A instituição declarou também que, no espaço onde os idosos ficavam, não havia obras ou intervenções estruturais que pudessem provocar o colapso.

A administração informou ainda que está prestando apoio às famílias das vítimas e aos idosos sobreviventes.

Outro ponto que chama atenção na história do prédio é um episódio ocorrido em 2023. Naquele ano, o imóvel foi atingido por um incêndio enquanto um serviço de solda era realizado na garagem. Na ocasião, ninguém ficou ferido.

Após o incêndio, a Defesa Civil foi acionada para avaliar as condições da estrutura. O fogo atingiu a parte inferior da construção, onde funcionava uma oficina mecânica. Segundo o órgão, o incidente provocou deformações acentuadas na laje de piso e também gerou trincas na junção de duas vigas estruturais.

Esses danos estruturais agora também devem entrar no radar da investigação, que vai analisar se o prédio passou por reparos adequados após o incêndio ou se as fragilidades estruturais permaneceram ao longo dos anos.

A tragédia levanta novamente o debate sobre fiscalização, segurança estrutural e condições de funcionamento de instituições que abrigam idosos — um público extremamente vulnerável e que depende diretamente da segurança dessas estruturas.