A crise verificada nos Conselhos Tutelares de Aparecida de Goiânia é maior do que a já denunciada. Além da precariedade nos prédios, da falta de estrutura de informática e da insuficiência de mão de obra, há ainda a denúncia de um grave problema no sistema de transporte, que pode gerar consequências jurídicas ao prefeito Leandro Vilela. É o que relata a conselheira tutelar Elita Arantes, do Conselho Tutelar da Vila Brasília.

Segundo a conselheira, a situação envolvendo os veículos do órgão revela interferência direta da Prefeitura em um serviço que, por determinação legal, deve ser autônomo, protegido e identificado de forma clara como integrante da rede de garantia de direitos da criança e do adolescente.

Atualmente, o Conselho Tutelar da Vila Brasília conta com quatro veículos, todos completamente ultrapassados, já além do tempo recomendado de uso. De acordo com Elita Arantes, o problema não se limita somente ao desgaste da frota, mas também pela forma como a gestão municipal tem atuado sobre esses veículos.

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“O Conselho Tutelar sempre deixou claro que seus veículos são exclusivos. Não podem ser usados por outras secretarias nem substituídos por carros da Prefeitura. São veículos do Conselho Tutelar”, afirmou.

A conselheira explicou que os veículos do Conselho Tutelar são adquiridos, em sua maioria, por meio de emendas parlamentares com recursos federais, seguindo normas estabelecidas pelo Conanda – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, responsável por regulamentar o funcionamento dos Conselhos Tutelares em todo o país.

Apesar disso, segundo Elita Arantes, a Prefeitura promoveu a descaracterização dos veículos, com a retirada ou apagamento da identificação oficial do Conselho Tutelar e a substituição por logomarcas da Prefeitura.

“A marca do Conselho Tutelar foi apagada. O que aparece hoje é a marca da Prefeitura, mais visível do que a identificação do órgão”, denunciou.

De acordo com a conselheira, a Prefeitura também passou a oferecer veículos identificados apenas como carros da administração municipal, em sistema de rotatividade, prática que não atende às exigências legais e compromete a autonomia do Conselho Tutelar.

“A Prefeitura responde dizendo que oferece carros, mas isso não é regular. Carros descaracterizados, com logo da Prefeitura, não substituem os veículos próprios do Conselho”, afirmou.

A situação é ainda mais grave porque, conforme relatado por Elita Arantes, há decisão judicial proibindo expressamente o uso de símbolos da Prefeitura nos veículos do Conselho Tutelar e vedando qualquer interferência do chefe do Executivo municipal na gestão do transporte do órgão.

Mesmo diante dessa decisão, a irregularidade persiste. Para a conselheira, a responsabilidade é objetiva e imediata.

“O prefeito tem de regularizar os veículos do Conselho Tutelar. Tem de atualizar a identificação correta, conforme as normas federais. Isso não é opção, é obrigação”, afirmou.

A descaracterização e a manutenção de uma frota ultrapassada comprometem diretamente a atuação do Conselho Tutelar, especialmente em atendimentos externos e ocorrências sensíveis, como casos de abuso sexual, violência física, violência psicológica, negligência e retirada emergencial de crianças do convívio familiar.

Segundo Elita Arantes, todas as irregularidades já foram formalmente comunicadas a juristas e ao Poder Judiciário, que reconheceu a ilegalidade da interferência administrativa.

Para a conselheira, o problema dos veículos se soma a um cenário mais amplo de enfraquecimento institucional do Conselho Tutelar desde o início da gestão de Leandro Vilela, com impactos diretos sobre a proteção de crianças e adolescentes.

“Quando o poder público não garante estrutura, identidade e autonomia ao Conselho Tutelar, quem sofre as consequências é a população mais vulnerável”, concluiu