que era para ser apenas mais um fim de tarde comum em um bar de bairro terminou em uma das cenas mais devastadoras registradas neste ano em Goiás. Em meio ao desespero provocado por um caminhão desgovernado que invadiu um estabelecimento no bairro Copacabana, em Anápolis, uma mulher teve apenas segundos para reagir. E foi exatamente nesses segundos que ela decidiu salvar uma vida.

A comerciante Eliana da Silva Conceição Oliveira, de 42 anos, conseguiu proteger um bebê de apenas 4 meses antes de morrer atropelada pelo caminhão que atingiu violentamente o bar onde ela trabalhava.

Segundo o Corpo de Bombeiros, testemunhas relataram que a criança que estava no colo de Eliana era seu afilhado. Mesmo diante da tragédia iminente, ela teria conseguido afastar o bebê do impacto momentos antes da colisão atingir as vítimas que estavam na calçada. O bebê sobreviveu.

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De acordo com o tenente Miguel Altura, da corporação, a criança sofreu apenas pequenas escoriações e foi levada para a UPA Pediátrica de Anápolis. O estado de saúde era considerado estável, e o menino permaneceu em observação médica.

A atitude de Eliana comoveu socorristas, moradores e até policiais que atuaram na ocorrência. “O bebê estava bem. Ela conseguiu salvar o afilhado antes da batida”, relatou o militar. O acidente aconteceu na quinta-feira e mergulhou Anápolis em um clima de choque e comoção.

Segundo testemunhas, o caminhão descia uma rua íngreme quando teria perdido os freios. O motorista ainda tentou evitar a tragédia usando um banco de areia e até um muro para reduzir a velocidade, mas não conseguiu controlar o veículo. Sem freio e em alta velocidade, o caminhão invadiu o bar e atropelou pessoas que estavam na calçada. A violência do impacto foi brutal.

Quatro pessoas morreram no local. As vítimas foram identificadas como Franklin Rangel Silva, de 58 anos, José Vaz da Silva, de 84 anos, Eliana da Silva Conceição Oliveira, de 42 anos, e Bruna Santana de Almeida, de 36 anos.

Imagens registradas por moradores mostram o caminhão descendo desgovernado segundos antes da colisão. O veículo só conseguiu parar após bater contra outro caminhão estacionado em frente ao bar.

Segundo o delegado Manoel Vanderic, se o caminhão não tivesse colidido no veículo parado, poderia ter atingido uma residência que ficava logo à frente, onde também havia pessoas. Após o acidente, a cena era de destruição total.

Parte da estrutura do bar ficou destruída, veículos foram atingidos e o local precisou ser isolado por causa do risco elétrico. Segundo as autoridades, um dos caminhões ficou energizado após atingir a rede elétrica, dificultando o resgate das vítimas. O motorista fugiu logo após o acidente.

De acordo com a Polícia Civil, ele se apresentou posteriormente à delegacia e alegou ter deixado o local por medo de ser linchado pela população revoltada. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que não apontou consumo de álcool.

O caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A principal linha de investigação é a possível falha mecânica no sistema de freios do caminhão, mas a polícia aguarda os laudos da perícia para confirmar a versão apresentada pelo motorista. Enquanto a investigação avança, o nome de Eliana passou a dominar as redes sociais.

Moradores, amigos e desconhecidos começaram a compartilhar mensagens descrevendo a comerciante como “heroína”, “mulher de coragem” e “anjo”. A repercussão cresceu principalmente após a confirmação de que ela conseguiu salvar o bebê segundos antes da tragédia.

A história transformou uma cena de horror em um símbolo de amor e instinto de proteção. Em Anápolis, o caso gerou forte comoção porque revela o tamanho da tragédia vivida pelas vítimas e também a dimensão humana do último gesto de Eliana. Ela morreu tentando salvar uma criança. E conseguiu.