As investigações da Operação Phoenix, que apura um suposto esquema milionário de fraudes financeiras envolvendo a empresa Naskar Gestão de Ativos, tiveram novos desdobramentos com a prisão do empresário José Maurício Volpato, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei e ex-apresentador de televisão, conhecido como Maurício Jahu. Ele é apontado como um dos sócios da empresa investigada e foi preso juntamente com outros dois suspeitos por determinação da Justiça.

A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e apura crimes como estelionato qualificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, o grupo também é suspeito de participação na invasão de sistemas que resultou no desvio de aproximadamente R$ 75 milhões da Zema Financeira, instituição ligada à família do candidato à Presidência da República Romeu Zema.

Além de Volpato, também foram presos Marcelo Liranco Arantes e Rogério Vieira. Os três foram detidos no dia 22 de julho durante o cumprimento de mandados em municípios do estado de São Paulo. Após audiência de custódia realizada no dia seguinte, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve as prisões preventivas.

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Durante a operação, policiais apreenderam veículos de luxo, aparelhos celulares, computadores, dinheiro em espécie e moedas estrangeiras, incluindo euros e dólares. O material será analisado para auxiliar no avanço das investigações.

De acordo com a Polícia Civil, a Naskar Gestão de Ativos é investigada por captar recursos de investidores oferecendo rentabilidade fixa superior à praticada pelo mercado financeiro. As apurações apontam que, após interromper os pagamentos em maio deste ano, a empresa passou a registrar diversas reclamações de clientes que relataram dificuldades para sacar recursos e ausência de canais de atendimento.

As investigações também alcançaram Goiás. Um dos principais investigados é o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, apontado como um dos responsáveis pela estrutura empresarial utilizada no suposto esquema. Segundo as autoridades, ele possui empresas registradas em Goiás, Mato Grosso e Maranhão, além de estar vinculado a pelo menos 13 pessoas jurídicas.

Levantamentos também indicam que existem ao menos 15 processos relacionados ao grupo em tramitação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), protocolados desde maio deste ano.

Douglas Azara também é investigado por suposta participação no esquema que teria desviado recursos da Zema Financeira. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores atribuídos ao empresário, familiares e empresas ligadas ao grupo.

Segundo a investigação, Douglas deixou o Brasil com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, antes da decretação de sua prisão preventiva e atualmente é considerado foragido.

Outro alvo da Operação Phoenix é a advogada Jéssika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, presa em Anápolis. Conforme a Polícia Civil, ela é companheira de Douglas Azara e teria participado da estrutura financeira utilizada pelo grupo.

As investigações apontam que a advogada teria auxiliado na movimentação de recursos considerados suspeitos, além de disponibilizar contas bancárias e uma empresa registrada em seu nome para, supostamente, facilitar a circulação dos valores investigados.

Por meio da defesa, Jéssika Lorrane negou todas as acusações. Os advogados afirmam que ela não participou de qualquer prática criminosa e sustentam que sua inocência será demonstrada durante o andamento do processo.

Segundo as autoridades, cerca de três mil investidores podem ter sido prejudicados em diferentes estados brasileiros. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão conforme o avanço das investigações e a identificação de novas vítimas.

A Polícia Civil continua realizando diligências para localizar outros envolvidos, rastrear o destino dos recursos e identificar a extensão do patrimônio adquirido pelo grupo. O inquérito permanece em andamento e novas fases da Operação Phoenix não estão descartadas.