Um menino de 10 anos foi resgatado pelo Conselho Tutelar na manhã desta quinta-feira (9/7), após ser encontrado trancado sozinho dentro de um apartamento no Setor Faiçalville, em Goiânia. A criança, que completava aniversário no mesmo dia, estava sem água, sem comida e em condições consideradas de extrema vulnerabilidade. Após o resgate, a mãe foi presa e deverá responder pelo crime de abandono de incapaz.

O caso veio à tona após denúncias que levaram conselheiros tutelares ao condomínio. Ao chegarem ao local, eles encontraram o menino falando pela janela do apartamento, relatando que estava sozinho e que havia conseguido comer apenas algumas bolachas fornecidas por uma vizinha.

Como não havia acesso ao imóvel, um dos conselheiros utilizou uma escada para conversar com a criança pela janela. Durante o diálogo, perguntou se o menino havia almoçado. A resposta chamou a atenção das equipes.

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"Acabei de comer umas bolachinhas", respondeu o garoto.

Com muita sede, o menino pediu água. Os conselheiros improvisaram uma forma de ajudá-lo, colocando uma garrafa em uma sacola plástica amarrada a lençóis, que foi içada até a janela do quarto onde ele permanecia trancado.

Diante da situação, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados para realizar o resgate. Foi necessário arrombar a porta do apartamento e também a porta do quarto onde a criança permanecia isolada.

Ao entrarem no imóvel, os militares encontraram um cenário de abandono. Havia roupas espalhadas pelos cômodos, lixo acumulado, restos de alimentos apodrecidos e condições precárias de higiene.

Dentro do quarto onde o menino estava havia apenas um colchão, alguns brinquedos, um ventilador e uma garrafa utilizada para que ele fizesse as necessidades fisiológicas, já que não podia sair do cômodo.

Após ser retirado do quarto, o garoto emocionou os presentes ao dizer:

"Agora espero ter uma vida melhor."

Segundo o Conselho Tutelar, o menino é portador de diabetes tipo 1 e apresentava sinais de descompensação da doença. Inicialmente, ele foi encaminhado ao CAIS Jardim América, onde os médicos constataram alterações significativas nos níveis de glicose.

De acordo com os profissionais de saúde, antes de receber insulina era necessário estabilizar o quadro clínico da criança. Por isso, ela foi transferida para o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), onde permaneceu internada sob acompanhamento médico.

Segundo os conselheiros tutelares, a falta de alimentação adequada agravou ainda mais a condição de saúde do menino.

A mãe da criança foi localizada e presa. Conforme informou a Polícia Militar, ela alegou que havia saído para trabalhar durante a noite e decidiu deixar o filho trancado no quarto para impedir que tivesse acesso aos alimentos, afirmando que ele poderia comer além do recomendado por causa da diabetes.

A justificativa, no entanto, não convenceu as autoridades.

Segundo a Polícia Civil, a mulher deverá responder pelo crime de abandono de incapaz. O delegado responsável pelo caso destacou que, além de permanecer sozinho, o menino estava privado de alimentação adequada, de acesso ao banheiro e ainda tinha acesso a materiais utilizados no tratamento da diabetes, o que representava risco à própria vida.

As investigações também apontam que a situação não era isolada. Moradores do condomínio relataram que frequentemente ouviam o menino gritando por ajuda na janela do apartamento.

Uma vizinha contou que diversas vezes levou alimentos para a criança porque ela permanecia sozinha durante longos períodos.

Outra moradora informou que já havia acionado o Conselho Tutelar anteriormente após ouvir pedidos de socorro vindos do apartamento.

O síndico do prédio também afirmou que era comum ver o garoto passando o dia inteiro na janela, observando outras crianças brincarem na área externa do condomínio.

Segundo ele, a cena causava tristeza entre os moradores.

Após o resgate, o menino relatou ao Conselho Tutelar que gostaria de morar com o pai. O órgão informou que irá encaminhar a situação ao Juizado da Infância e da Juventude, que avaliará a possibilidade de alteração da guarda da criança e adotará as medidas necessárias para garantir sua proteção.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.