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Uma onça-pintada foi flagrada cruzando o Rio Araguaia, na região da Mata Coral, em Aruanã, no noroeste de Goiás. A cena foi registrada por um pescador na manhã de segunda-feira (10) e rapidamente chamou atenção pela imponência do animal enfrentando a correnteza em direção à divisa com o Mato Grosso.
No vídeo, o pescador se mostra impressionado com o porte da onça enquanto acompanha toda a travessia. Ele exalta a beleza e a força do felino, que nada de forma firme até alcançar a margem oposta. Ao final, a onça sobe o barranco e desaparece na vegetação, arrancando ainda mais admiração de quem grava.
A cena, além de rara, revela uma habilidade fundamental da espécie. Segundo o biólogo Edson Hassan, o nado é parte essencial da vida da onça-pintada. A prática está diretamente ligada à sobrevivência, seja na busca por alimento, abrigo ou parceiro reprodutivo, além de contribuir para o fortalecimento muscular.
O especialista explica que a água também desempenha papel importante na termorregulação do animal. Como a onça é um mamífero homeotérmico, precisa manter a temperatura corporal estável. Em regiões quentes como o Cerrado, onde a incidência solar é intensa, entrar na água ajuda a equilibrar o calor do corpo, tanto em dias secos quanto em períodos chuvosos.
Outro fator decisivo é o condicionamento físico. A onça gasta muita energia em curtos intervalos quando parte para o ataque. Perseguir presas como capivaras exige explosão muscular, força e resistência. O nado contribui diretamente para esse preparo.
A água, inclusive, não é apenas rota de passagem. É também território de caça. Enquanto nada, a onça pode capturar capivaras, peixes, sucuris e até jacarés. Apesar de o jacaré ser um predador temido, ele costuma evitar confronto quando percebe a presença da onça, que ocupa o topo da cadeia alimentar.
A habilidade de nadar é tão essencial que também é estimulada em onças mantidas em cativeiro. Animais resgatados ou que não podem retornar à natureza costumam ter acesso a piscinas. Desde filhotes, aprendem a nadar sob acompanhamento de cuidadores, justamente para garantir bem-estar físico e comportamental.
O registro no Araguaia reforça a força da biodiversidade goiana e a importância da preservação dos habitats naturais. Em meio à pressão sobre os biomas, cenas como essa lembram que os grandes predadores ainda circulam livres — e precisam de rios limpos, matas preservadas e corredores ecológicos para continuar existindo.
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