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A Polícia Técnico-Científica de Goiás divulgou um esclarecimento público para rebater informações que circulam nas redes sociais e em parte da imprensa sobre uma possível “reviravolta” nas investigações da tragédia ocorrida em Itumbiara no dia 12 de fevereiro. Segundo o órgão, não existe qualquer elemento novo capaz de alterar a conclusão pericial já apresentada às autoridades responsáveis pelo caso.
De acordo com a nota, mensagens que afirmam que impressões digitais de uma pessoa desconhecida teriam sido encontradas em um galão de gasolina próximo ao corpo de Thales são falsas. Também não procede a informação de que exames teriam apontado que ele morreu antes das crianças — hipótese que, se confirmada, poderia mudar completamente a dinâmica do crime.
A corporação foi enfática ao afirmar que todos os exames criminais e médico-legais foram concluídos ainda na mesma semana do ocorrido. “Diferentemente do que tem sido veiculado em alguns canais de mídia, não há fato novo ou qualquer elemento detectado pelas equipes que indiquem reviravoltas”, destacou o comunicado.
O posicionamento ocorre após a circulação intensa de conteúdos especulativos nas redes sociais, alguns deles citando supostas fontes ligadas à perícia. Internamente, a situação também causou incômodo. A reportagem do portal Mais Goiás teve acesso a mensagens atribuídas a um delegado da Polícia Civil de Goiás questionando como determinadas informações foram divulgadas sem confirmação oficial.
Além das teorias envolvendo a perícia, outras notícias falsas também surgiram desde o dia da tragédia. Uma delas afirmava que o prefeito da cidade, Dione Araújo, teria sofrido um infarto ao saber da morte dos netos. A informação foi rapidamente desmentida pela prefeitura. Horas depois do crime, ele apareceu publicamente durante o velório de uma das vítimas, acompanhado por autoridades como o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela.
Outro boato que ganhou grande repercussão envolveu uma suposta carta atribuída à mãe das crianças, Sarah Araújo. O texto, que circulou amplamente em aplicativos de mensagens, continha reflexões sobre o ocorrido e teria sido escrito após o sepultamento do filho mais novo. A família confirmou que o conteúdo era falso.
A propagação de informações não verificadas chegou a motivar medidas judiciais. A Defensoria Pública estadual ingressou com ação contra emissoras como TV Globo, CNN Brasil, Record TV e SBT por conta da divulgação de imagens consideradas sensíveis relacionadas ao caso.
Especialistas em investigação criminal explicam que, em situações de grande repercussão emocional, a circulação de rumores tende a crescer, principalmente quando há lacunas de informação pública ou demora na divulgação de detalhes oficiais. No entanto, reforçam que laudos periciais seguem protocolos rigorosos e dificilmente sofrem mudanças após a conclusão, salvo quando surgem evidências materiais concretas — o que, segundo a Polícia Científica, não ocorreu neste caso.
As autoridades também alertam que a disseminação de notícias falsas pode prejudicar investigações, causar sofrimento adicional às famílias envolvidas e gerar desinformação coletiva. Por isso, a recomendação é que a população busque sempre fontes oficiais ou veículos confiáveis antes de compartilhar conteúdos.
Enquanto isso, o caso segue encerrado do ponto de vista pericial, com os resultados já integrados ao inquérito policial conduzido pela Polícia Civil.
A morte do menino mais novo
Pouco antes das 11h do dia da tragédia em Itumbiara, familiares e amigos passaram a divulgar que a criança mais nova atingida pelos disparos, Benício, já havia morrido. Tecnicamente, porém, a informação estava equivocada naquele momento. O menino havia entrado em protocolo de morte cerebral — um conjunto rigoroso de exames clínicos e complementares que pode levar até 72 horas para confirmação definitiva da irreversibilidade do quadro.
Especialistas explicam que o protocolo existe justamente para garantir segurança médica e jurídica antes da declaração oficial do óbito. No caso de Benício, a confirmação da morte ocorreu apenas posteriormente, quando todos os critérios foram concluídos pela equipe médica responsável. A divulgação antecipada acabou gerando confusão e ampliando a onda de desinformação que marcou os primeiros dias após o crime.
Mudança no rumo da investigação policial
A fake news mais recente relacionada ao caso afirmava que “novos desdobramentos” teriam levado a Polícia Civil de Goiás a reconsiderar a linha investigativa e passar a tratar o episódio como possível homicídio cometido por terceiros. A informação foi desmentida de forma categórica pelas autoridades.
Segundo a corporação, não houve qualquer alteração na conclusão investigativa baseada nas provas técnicas já produzidas. A polícia reforçou que rumores sobre reclassificação do crime ou surgimento de suspeitos desconhecidos não têm fundamento e não foram confirmados por nenhuma fonte oficial.
As autoridades voltaram a alertar que a circulação de conteúdos falsos pode prejudicar o trabalho policial, além de provocar sofrimento adicional à família das vítimas. A recomendação permanece a mesma: buscar informações em canais oficiais e evitar o compartilhamento de mensagens sem verificação.
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