O presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia, Waldivino da Silva, foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por suspeita de importunação sexual e coação contra uma funcionária da entidade. A denúncia aponta episódios de abuso psicológico, constrangimento e contatos físicos sem consentimento ocorridos entre 2018 e o fim de 2023 dentro das dependências da associação, no Setor Central da capital.

Segundo o documento apresentado pelo promotor José Divino da Silva, o dirigente teria usado a posição de superioridade hierárquica para pressionar e constranger a vítima de forma contínua ao longo dos anos.

Entre as acusações relatadas na denúncia, consta que Waldivino teria condicionado a concessão de um ponto de venda a um beijo e oferecido R$ 5 mil para que a funcionária passasse a noite com ele.

Leia Também:

O Ministério Público também afirma que o denunciado teria praticado contatos físicos forçados, incluindo tentativas de beijo à força e apalpamentos. Um dos episódios mais graves teria ocorrido em outubro de 2023, quando o presidente da associação teria levado a mulher para uma sala reservada na rádio da feira.

De acordo com a denúncia, ele teria trancado o local, segurado a vítima pelos braços e tentado beijá-la à força. A agressão só teria sido interrompida após uma terceira pessoa bater na porta da sala.

Ainda segundo o MPGO, após as recusas da funcionária, o dirigente passou a exercer pressão psicológica no ambiente de trabalho, com ameaças de prejudicá-la profissionalmente, transferi-la de quadra e cortar benefícios laborais.

A vítima afirmou que desenvolveu graves problemas emocionais em decorrência dos episódios denunciados. Segundo relato ao Mais Goiás, ela passou por internações psiquiátricas, faz uso de medicamentos controlados e chegou a tentar tirar a própria vida.

“Eu espero que ele pague pelo que fez comigo. Eu adoeci e tomo remédios controlados até hoje”, declarou.

Ela também afirmou que decidiu denunciar o caso após anos de silêncio motivados pelo medo. Segundo a funcionária, tornar a situação pública é importante para evitar que outras mulheres passem pelo mesmo tipo de violência.

A defesa da vítima informou que está adotando novas medidas judiciais, incluindo pedido de proibição de contato e aproximação do denunciado, além de ação cível por danos sofridos.

Em nota, o advogado Philippe Lasmar afirmou que os atos denunciados provocaram “consequências emocionais graves” e causaram “verdadeira invalidação social” da vítima.

Waldivino da Silva negou todas as acusações. Ao Mais Goiás, ele afirmou que ainda não foi citado oficialmente no processo e classificou as denúncias como “caluniosas, mentirosas e falsas”.

“Isso será resolvido na Justiça. Assim que me citarem, eu vou apresentar e fazer a minha defesa”, declarou.

O dirigente também disse que sempre esteve à disposição para esclarecimentos e relacionou a repercussão do caso a disputas internas envolvendo a feira.

O caso segue em tramitação na Justiça.