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O que começou como uma cobrança silenciosa dentro das escolas municipais de Aparecida de Goiânia agora virou um movimento de indignação pública contra a gestão da Educação. Professores, merendeiras e servidores da rede municipal denunciam abandono, salários atrasados e progressões congeladas há mais de 12 anos, enquanto integrantes da alta estrutura da Secretaria Municipal de Educação já ocupam os níveis mais altos da carreira.
E foi justamente daí que nasceu o apelido que tomou conta dos bastidores políticos e corredores das escolas: “Júbia”.
Segundo servidores, o nome é uma ironia direcionada à secretária municipal de Educação, Núbia, em referência à letra J, uma das faixas mais altas da progressão salarial da categoria. Enquanto isso, dezenas de profissionais seguem travados nas letras A, B, C e D, aguardando há mais de uma década um direito que nunca saiu do papel.
A diferença entre quem manda e quem executa virou o centro da revolta.
Nesta segunda-feira (11), durante o desfile cívico em comemoração aos 104 anos de Aparecida de Goiânia, professores aproveitaram a presença das autoridades para cobrar respostas públicas sobre as progressões atrasadas e os direitos represados da categoria.
A manifestação aconteceu de forma pacífica, mas relatos apontam que professores teriam sido retirados da arquibancada após iniciarem os protestos durante o evento.
O vereador Felipe Cortez permaneceu ao lado dos servidores durante toda a situação e criticou duramente a desigualdade dentro da estrutura da Educação municipal.
“São progressões atrasadas há 12 anos. Isso é uma irregularidade e uma desigualdade, porque a secretaria já está na progressão J. Isso é inadmissível”, afirmou o parlamentar.
A fala rapidamente repercutiu entre os servidores e fortaleceu ainda mais o apelido “Júbia”, usado como símbolo de uma gestão que, segundo os trabalhadores, beneficia a própria cúpula enquanto deixa a base esquecida.
De acordo com relatos da categoria, mais de 80 servidores aguardam progressões e correções funcionais represadas há anos.
Mas a crise vai além dos professores. Nos últimos dias, merendeiras da rede municipal também denunciaram salários atrasados e afirmaram que passaram o Dia das Mães sem receber pagamento. Muitas relatam dificuldades para manter despesas básicas dentro de casa, incluindo aluguel, alimentação e contas acumuladas.
A situação gerou indignação porque essas profissionais atuam diretamente na alimentação de milhares de crianças da rede pública municipal.
Enquanto trabalhadoras enfrentam atrasos salariais e insegurança financeira, a administração municipal segue sendo alvo de críticas por manter contratos milionários cercados de questionamentos.
A revolta aumentou ainda mais após denúncias de reajustes salariais dentro da estrutura da secretaria enquanto servidores da base continuam sem respostas.
Para muitos profissionais da Educação, existe hoje uma realidade dividida dentro da própria rede municipal: de um lado, quem já alcançou os níveis mais altos da carreira; do outro, trabalhadores esquecidos há mais de uma década esperando direitos básicos.
Nos corredores das escolas, a indignação é aberta. Servidores afirmam que a gestão perdeu conexão com a realidade de quem está na ponta da Educação pública. Enquanto professores cobram progressões. Merendeiras cobram salários atrasados. E trabalhadores cobram respeito.
A Prefeitura de Aparecida e a Secretaria Municipal de Educação seguem pressionadas a explicar por que profissionais continuam parados nas primeiras letras da carreira enquanto integrantes da alta gestão já ocupam os níveis mais elevados da progressão salarial.
O desfile que deveria celebrar os 104 anos da cidade acabou expondo um cenário de desgaste político, revolta interna e crise na Educação municipal. E entre os servidores, uma frase resume o sentimento de muitos trabalhadores da rede:
“Para alguns, a letra J. Para outros, 12 anos de espera.”
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