Mais de uma década após sua prisão, o nome de Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o serial killer de Goiânia, continua sendo um dos casos criminais mais marcantes da história de Goiás. Condenado a 668 anos, 8 meses e 9 dias de prisão, distribuídos em 34 processos, o ex-vigilante poderá deixar o sistema prisional em 2044, quando completar 30 anos de cumprimento da pena, conforme a legislação vigente à época de sua condenação.

Preso desde 14 de outubro de 2014, Tiago confessou mais de 30 homicídios cometidos entre 2011 e 2014. Atualmente, aos 38 anos, ele permanece isolado no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Embora tenha sido condenado a quase 700 anos de prisão, a legislação brasileira em vigor quando ele foi preso limitava o tempo máximo de cumprimento da pena em 30 anos. Em 2019, o chamado Pacote Anticrime ampliou esse limite para 40 anos, mas a mudança não retroage para condenações definitivas anteriores à nova lei.

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Exame criminológico pode impedir liberdade

Segundo o procurador de Justiça Maurício Gonçalves de Camargos, que atuou em 17 processos contra Tiago, a possibilidade de saída da prisão não significa liberdade automática.

De acordo com ele, antes de qualquer decisão judicial, o condenado deverá ser submetido a um exame criminológico, que avaliará sua capacidade de retorno ao convívio social.

Na avaliação do procurador, Tiago dificilmente conseguiria um parecer favorável.

"A psicopatia não é curável. Nenhum juiz concederia a liberdade sem uma avaliação criteriosa, e entendo que ele não seria considerado apto para retornar à sociedade", afirmou.

Maurício também explicou que Tiago não pode ser internado em hospital psiquiátrico, pois foi considerado plenamente capaz de entender seus atos quando cometeu os crimes.

Crimes deixaram Goiânia em estado de medo

Os assassinatos praticados por Tiago Henrique provocaram pânico em Goiânia entre 2011 e 2014. As vítimas eram escolhidas de forma aleatória, sem qualquer vínculo com o criminoso, o que dificultou as investigações durante meses.

Segundo o Ministério Público, ele costumava sair armado de casa decidido a matar alguém, sem um alvo específico.

Em um dos casos que mais marcaram o procurador, uma jovem que havia se mudado do interior para estudar em Goiânia foi assassinada após Tiago escolher a vítima ao observar a luz do celular refletindo em seu rosto enquanto ela estava no banco traseiro de um carro parado em um semáforo.

O criminoso perseguiu o veículo por várias quadras até encontrar o momento para efetuar um único disparo, padrão que se repetiu em diversos homicídios atribuídos a ele.

Condenação continua sendo uma das maiores de Goiás

A condenação mais recente de Tiago ocorreu em 2023, quando recebeu mais 14 anos, 6 meses e 29 dias de prisão pela tentativa de homicídio contra duas mulheres.

Apesar de todos os processos já estarem encerrados, o caso continua sendo acompanhado por especialistas em Direito Penal justamente pela possibilidade de o condenado atingir o limite máximo de cumprimento de pena previsto na legislação anterior ao Pacote Anticrime.

Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás, todos os processos encontram-se arquivados, enquanto Tiago permanece recolhido no sistema prisional goiano aguardando o cumprimento da pena.