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O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) acompanha a possibilidade de formação de um El Niño mais intenso no segundo semestre deste ano. Segundo o órgão, caso a temperatura das águas do Oceano Pacífico atinja 2°C acima da média, Goiás poderá enfrentar atraso no período chuvoso, calor extremo e impactos no abastecimento hídrico.
Atualmente, a temperatura do Pacífico está em 0,6°C acima da média, cenário considerado estável até o momento. Apesar disso, especialistas monitoram a evolução do fenômeno climático nos próximos meses.
De acordo com o gerente do Cimehgo, André de Oliveira Amorim, ainda não existe confirmação de um chamado “super El Niño”, mas o comportamento do oceano entre agosto e setembro será decisivo para determinar a intensidade do fenômeno.
“Não está subindo como ocorreu de abril para maio”, afirmou o meteorologista.
Segundo o órgão, caso o aquecimento alcance os 2°C acima da média, poderá haver alteração nas correntes de vento responsáveis pelo transporte da umidade da Amazônia para o Centro-Oeste.
Na prática, isso pode provocar atraso entre 15 e 20 dias no início das chuvas em Goiás. O estado poderia registrar outubro com precipitações irregulares e longos períodos de estiagem.
“Chove um dia, depois fica 10 dias sem chover. Para o produtor rural isso é um problema, porque ele planta e perde”, explicou André Amorim.
O Cimehgo alerta que a irregularidade das chuvas pode afetar diretamente o calendário agrícola, principalmente em culturas dependentes do início regular do período chuvoso.
Além dos impactos no campo, o fenômeno também poderá elevar significativamente as temperaturas em Goiânia e em outras cidades goianas.
Sem chuvas frequentes para amenizar o calor, os termômetros podem ultrapassar os 32°C, 33°C e até 34°C durante os meses de setembro e outubro.
“Setembro já é quente aqui, mas em outubro normalmente a temperatura começa a cair por causa das chuvas. Sem chuva, o calor aumenta ainda mais”, destacou o gerente do Cimehgo.
Segundo o órgão, alguns períodos poderão registrar temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média climatológica.
Outro ponto de preocupação envolve a possibilidade de redução no nível de rios e reservatórios, embora o Cimehgo ressalte que o cenário ainda está sendo avaliado.
“Tudo ainda está no campo das hipóteses. Mas, caso o Pacífico chegue a 2 graus acima da média, pode haver reflexos em Goiás, como redução abrupta no nível dos mananciais”, pontuou.
Diante da possibilidade de agravamento climático, o Cimehgo informou que mantém reuniões semanais com a Defesa Civil para organizar ações preventivas relacionadas a queimadas, estiagem prolongada e riscos ao abastecimento de água.
“Nós estamos desenvolvendo atividades e nos preparando para essa situação que vem pela frente. O foco é se preparar, avisar e alertar”, concluiu André Amorim.
O órgão reforça que o cenário segue em monitoramento e que a confirmação de um El Niño mais severo dependerá da evolução das temperaturas do Oceano Pacífico nos próximos meses.
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