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Goiás entrou definitivamente no radar das maiores economias do planeta. Estados Unidos, União Europeia e China disputam espaço e influência sobre as jazidas de terras raras localizadas no estado, consideradas estratégicas para a produção de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e uma série de tecnologias sensíveis.
O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais desses minerais, e parte significativa está concentrada em solo goiano. A corrida por acesso e investimento coloca o estado no centro de uma disputa que ultrapassa o campo econômico e avança sobre interesses geopolíticos globais.
Atualmente, a China domina cerca de 70% da produção mundial de terras raras e praticamente toda a cadeia de refino, o que garante ao país asiático vantagem estratégica sobre setores industriais considerados críticos. Esse cenário tem levado Estados Unidos e União Europeia a buscarem alternativas que reduzam a dependência chinesa.
No mês passado, durante visita ao Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou negociações para acordos de investimento conjunto em matérias-primas críticas com o Brasil. A iniciativa faz parte de uma estratégia europeia para diversificar fornecedores e fortalecer parcerias consideradas confiáveis.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos prepara para março um evento em que pretende formalizar apoio financeiro europeu a cinco projetos de mineração no país. Entre os minerais contemplados estão terras raras, níquel, lítio e manganês, todos estratégicos para a transição energética e para a indústria tecnológica.
Enquanto Bruxelas aposta em acordos estruturados e cooperação industrial, os Estados Unidos atuam de forma mais direta nos bastidores. Fontes do setor relatam que representantes norte-americanos têm mantido conversas reservadas com autoridades e empresários brasileiros, demonstrando interesse claro em garantir acesso a depósitos ainda não explorados, inclusive em Goiás.
O governador Ronaldo Caiado esteve recentemente nos Estados Unidos para tratar de minerais críticos, reforçando o protagonismo do estado nas negociações internacionais. A movimentação política acompanha o avanço financeiro: nos últimos dois anos, projetos brasileiros de terras raras captaram aproximadamente US$ 700 milhões, segundo levantamento publicado pelo Financial Times.
Grande parte desse montante veio de investidores ocidentais, como o grupo britânico Hochschild, além de bancos de fomento à exportação da Austrália, França, Estados Unidos e Canadá. O fluxo de capital sinaliza confiança no potencial brasileiro e, ao mesmo tempo, revela a disputa por influência sobre a cadeia produtiva.
A China também ampliou sua presença. Em 2024, o país destinou US$ 556 milhões ao setor mineral brasileiro, conforme dados do Conselho Empresarial Brasil-China. Pequim busca manter posição estratégica diante da tentativa ocidental de reorganizar a cadeia global de fornecimento.
Europeus e americanos apresentam diferenciais distintos em suas abordagens. A União Europeia defende geração de empregos locais e processamento dos minerais em território brasileiro, agregando valor antes da exportação. Já os Estados Unidos oferecem maior agilidade no financiamento e articulação com investidores privados.
Empresas brasileiras acompanham atentamente esse cenário. A Terra Brasil Minerals, que pretende captar US$ 500 milhões para projetos de terras raras, confirmou que investidores com fortes vínculos europeus já analisaram dados corporativos e estudos de viabilidade da companhia.
No plano federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza alinhamento parcial com a estratégia de industrialização. A gestão Petista defende a criação de refinarias nacionais de terras raras, reduzindo a dependência da exportação de minério bruto e ampliando a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.
O debate inclui ainda o conceito de “friendshoring”, modelo que prioriza cadeias de suprimento entre países considerados parceiros estratégicos. Autoridades americanas indicaram que o Brasil pode ocupar posição relevante nesse arranjo, atuando como fornecedor confiável fora da esfera de influência direta chinesa.
Com reservas expressivas, ambiente regulatório em consolidação e crescente interesse internacional, Goiás passa a ocupar papel central na reorganização do mercado global de minerais críticos. A disputa por terras raras no estado não envolve apenas mineração, mas posicionamento estratégico em setores decisivos para o futuro da economia mundial.
Com informações da Folha de S. Paulo
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