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Um documento do Ministério Público de Goiás revelou que o delegado Dannilo Proto, enquanto esteve custodiado na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios em Goiânia, mantinha uma rotina considerada incompatível com o regime de prisão. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o celular apreendido com ele continha conversas que mostram uso frequente do aparelho dentro da cela, inclusive para pedir comida como pizza, refrigerante e sobremesa por aplicativo de mensagens.
Segundo os registros atribuídos a ele sob o nome de Darcy Vieira, o delegado perguntava detalhes para concluir entregas e combinava pedidos quase diários entre setembro e outubro. Para o Ministério Público, as mensagens indicam que a unidade policial teria sido transformada em uma espécie de extensão da residência do investigado, com comunicação ativa e conforto fora dos padrões de segurança carcerária. Trechos extraídos das conversas mostram solicitações diretas de alimentos e bebidas entregues na própria unidade.
Dannilo Proto está atualmente preso na Casa do Albergado, para onde foi transferido em 18 de dezembro, depois que promotores apontaram que ele continuava administrando atividades da empresa mesmo detido. Ele e a esposa, Karen Proto, presa em Rio Verde, são investigados por suspeita de integrar um grupo que fraudava contratos na área da educação e desviava recursos públicos. O casal é ligado ao Instituto Delta Proto, apontado como beneficiário de contratos milionários com verbas públicas.
A defesa do delegado sustenta que as situações relatadas não configuram crime. O advogado Gilles Gomes afirma que, do ponto de vista penal, não há tipificação criminosa nas condutas descritas. Ele admite que pode haver questionamentos na esfera moral ou administrativa, mas afirma que cabe à Corregedoria da Polícia Civil avaliar eventual desvio funcional.
Além do uso do celular, o Ministério Público apura se houve omissão ou facilitação de servidores da Polícia Civil para a entrada de aparelhos eletrônicos na cela. Em vistoria realizada após uma inspeção anterior não apontar irregularidades, promotores encontraram um celular e anotações em diários onde o delegado detalhava a própria rotina. Conforme a apuração, ele gerenciava atividades do Instituto Delta Proto de dentro da unidade prisional, tratando o local como um escritório de fácil camuflagem.
Mensagens atribuídas ao delegado indicam que ele teria conhecimento prévio de inspeções e estratégias para esconder os aparelhos. Em um dos diálogos, ele relata ter mudado objetos de lugar diversas vezes e utilizado esconderijos improvisados para evitar a apreensão durante fiscalizações. As conversas reforçam a suspeita de que ele mantinha comunicação constante com familiares e assuntos ligados aos negócios, mesmo custodiado.
Promotores do Gaeco afirmam que a cela teria se tornado um ponto de continuidade das atividades investigadas. Para o grupo, a situação é grave por envolver um agente público com formação jurídica utilizando conhecimento institucional para, supostamente, burlar regras de custódia. Integrantes do Ministério Público também investigam a conduta de policiais responsáveis pela guarda, diante da possibilidade de facilitação na entrada e permanência de eletrônicos.
O caso se soma a outras acusações já enfrentadas por Dannilo Proto. Ele foi preso em agosto de 2025 sob suspeita de liderar um esquema que teria desviado mais de dois milhões de reais de escolas estaduais em Rio Verde por meio de contratos irregulares. As investigações apontam que, desde 2020, dezenas de contratos sem licitação teriam sido direcionados ao Instituto Delta Proto para serviços como reformas, impressão de material didático e organização de concursos.
Há ainda registros de que, mesmo preso, ele teria enviado mensagens de cobrança e intimidação a ex-alunos da instituição ligada ao seu nome. Áudios divulgados anteriormente mostram o delegado discutindo contratos e adotando tom de pressão com estudantes inadimplentes, o que reforçou as suspeitas de continuidade das atividades a partir da cela.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Goiás informou que adotou providências ao tomar conhecimento de indícios de irregularidades na guarda de custodiados. A instituição destacou que procedimentos internos foram instaurados, que houve apreensão de aparelhos em outras situações e que inquéritos foram encaminhados ao Judiciário. A corporação afirma que atua com rigor na apuração de eventuais falhas e nega omissão institucional.
Gerência de Comunicação da Polícia Civil de Goiás – PCGO
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