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Goiânia tem hoje 120 áreas classificadas como de risco geo-hidrológico, onde vivem aproximadamente 6.464 pessoas. O dado faz parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado pelo Governo Federal em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), e acende um alerta direto sobre a forma como a cidade cresceu e continua se expandindo.
Ao todo, 1.616 imóveis estão localizados em áreas consideradas de risco médio, alto ou muito alto. Desse total, 27 áreas foram enquadradas como de risco muito alto, concentrando 576 imóveis e cerca de 2.304 moradores. Outras 49 áreas estão classificadas como risco alto, com 538 imóveis e aproximadamente 2.152 pessoas. Já as 44 áreas de risco médio somam 502 imóveis e cerca de 2.008 pessoas expostas.
O conceito de risco, segundo os técnicos do SGB, não está ligado apenas ao evento natural em si. Ele é resultado da combinação entre o perigo de ocorrência de um fenômeno, a vulnerabilidade das construções e a exposição das pessoas. Ou seja: quando há moradia frágil em área suscetível a alagamento ou erosão, o cenário se torna crítico. Se um desses fatores é eliminado, o risco deixa de existir.
O levantamento foi feito com trabalho de campo detalhado, rua por rua, identificando casas sujeitas a inundações, enxurradas, deslizamentos e processos erosivos. Em Goiânia, a maior parte dos problemas está relacionada à água. As inundações representam cerca de 40% das ocorrências mapeadas. As erosões aparecem em 34% dos casos, além de registros de deslizamentos.
Dos 120 setores analisados, 54 estão associados diretamente a processos hídricos, como alagamentos e enxurradas. Aproximadamente 4 mil pessoas vivem em áreas impactadas por riscos ligados à água. As regiões mais críticas estão nas bordas de canais como o Rio Meia Ponte e os córregos Cascavel, Botafogo, Anicuns e João Leite.
Goiânia possui 85 cursos d’água em sua rede hidrográfica. O estudo aponta que a ocupação irregular de planícies de inundação e Áreas de Preservação Permanente, a retirada da vegetação ciliar, a impermeabilização excessiva do solo e a deficiência na drenagem urbana ampliam os impactos das chuvas intensas.
Há registros de água ultrapassando dois metros de altura em determinados trechos durante temporais. Também foram identificados casos de erosões que avançaram até 15 metros ao longo de duas décadas. Em algumas áreas, moradores utilizam lixo e entulho como contenção improvisada de encostas, o que agrava ainda mais o problema.
Especialistas alertam que a tendência é de eventos chuvosos cada vez mais intensos e concentrados. Chuvas volumosas e rápidas favorecem enxurradas repentinas, comprometem a estrutura das moradias, afetam a economia das famílias e podem resultar em tragédias.
Entre os bairros com áreas classificadas como de risco estão Jardim Novo Mundo, Jardim América, Vila Romana, Vila Roriz, Setor Bueno, Setor Campinas, Setor Urias Magalhães, Setor Perim, Conjunto Caiçara, Residencial Recanto do Bosque, Jardim das Aroeiras, Vila Santa Efigênia, Parque Amazônia, Setor Aeroporto e Setor Norte Ferroviário.
Para enfrentar o cenário, o plano apresenta 60 recomendações técnicas. Entre as principais medidas estão o fortalecimento e formalização da Defesa Civil municipal com estrutura permanente, implantação de sistema de monitoramento geotécnico, atualização do plano de contingência para emergências e manutenção contínua da drenagem pluvial e dos canais.
O PMRR também funciona como ferramenta estratégica para captação de recursos federais destinados à prevenção de desastres. Mais do que mapear o problema, o plano coloca Goiânia diante de uma escolha: continuar reagindo às crises ou investir em planejamento urbano consistente, prevenção e adaptação climática.
A cidade já conhece seus pontos frágeis. O próximo passo é transformar diagnóstico em ação concreta.
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