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A série de ataques cibernéticos contra prefeituras goianas acendeu um alerta entre gestores municipais e órgãos de representação das cidades. De acordo com levantamento divulgado pela Associação Goiana de Municípios (AGM), pelo menos sete municípios tiveram contas bancárias invadidas por hackers nos últimos três anos, acumulando prejuízos que chegam perto de R$ 8 milhões.
Os casos foram registrados entre 2024 e 2026 e atingiram as cidades de Damianópolis, Nazário, Santa Rita do Araguaia, Lagoa Santa, Castelândia, Cromínia e Caçu. Em comum, todas as administrações afetadas utilizavam contas da Caixa Econômica Federal, de onde os recursos foram retirados por criminosos por meio de transferências eletrônicas realizadas em poucos minutos.
O maior prejuízo registrado foi em Caçu, no sudoeste goiano. Segundo a AGM, hackers desviaram cerca de R$ 3 milhões das contas do município. Apesar de a prefeitura conseguir recuperar aproximadamente R$ 600 mil, o prejuízo final ficou em torno de R$ 2,4 milhões.
Em Nazário, a perda chegou a R$ 2,8 milhões. O prefeito João Batista de Oliveira relatou que o dinheiro desapareceu justamente quando a administração se preparava para quitar compromissos financeiros relacionados a obras recém-concluídas.
Outras cidades também sofreram impactos significativos. Santa Rita do Araguaia registrou prejuízo de R$ 1,3 milhão. Em Damianópolis, os criminosos desviaram R$ 400 mil. Já Castelândia teve perda de R$ 496 mil, enquanto Cromínia contabilizou R$ 406 mil. Lagoa Santa registrou prejuízo de R$ 150 mil.
Segundo informações repassadas pela AGM, em alguns episódios os invasores acessaram as contas durante a madrugada e realizaram diversas transferências via PIX em sequência. Em determinados casos, os recursos foram pulverizados para contas localizadas em diferentes estados brasileiros, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores.
Os impactos vão além do prejuízo financeiro imediato. Prefeitos relatam dificuldades para manter pagamentos de fornecedores, aquisição de medicamentos, execução de obras públicas e até remuneração de profissionais da saúde. Além disso, os gestores enfrentam o desafio de prestar contas de recursos públicos que desapareceram após os ataques.
Diante da situação, representantes dos municípios buscaram apoio institucional. No último dia 9 de junho, prefeitos participaram de uma reunião em Brasília com representantes da Caixa Econômica Federal para discutir os casos e cobrar providências. O encontro ocorreu no gabinete do senador Vanderlan Cardoso e teve como objetivo encontrar alternativas para recuperar os recursos desviados e reforçar os mecanismos de segurança das contas públicas.
A AGM informou que aguarda respostas mais concretas sobre a análise dos casos e possíveis formas de ressarcimento. Enquanto isso, as administrações municipais seguem adotando medidas de reforço na segurança digital para tentar evitar novas invasões.
As investigações sobre os ataques continuam. A Polícia Federal acompanha parte dos casos, mas informou que não divulga detalhes sobre apurações em andamento. A expectativa dos municípios é que os responsáveis sejam identificados e que os recursos públicos desviados possam ser recuperados.
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