O professor de jiu-jítsu e lutador de muay thai Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, afirmou que acreditou que um adolescente estivesse armado no momento em que o imobilizou durante uma confusão em um condomínio de Goiânia. A declaração foi feita durante audiência de custódia realizada no último sábado (31), após sua prisão em flagrante.

O caso ocorreu depois de um desentendimento envolvendo o jovem e os filhos do lutador. Segundo Rafael, os conflitos entre os adolescentes já aconteciam há cerca de dois meses e ele decidiu ir até a quadra do condomínio após ser informado de que o rapaz estava no local.

Durante o depoimento, o investigado afirmou que foi agredido pelo adolescente e que reagiu para proteger os filhos.

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“O rapaz socou meu nariz e simulou que estava armado. Quando ele virou para os meus filhos e falou que iria pegá-los, imaginei que estivesse armado. A única coisa que fiz foi imobilizá-lo”, declarou.

A defesa sustentou que Rafael agiu em um contexto de tensão e conflito prévio, argumentando que a prisão preventiva não era necessária. Os advogados também afirmaram que o lutador sofreu lesões durante a confusão e que os fatos ainda precisam ser esclarecidos ao longo da investigação.

Apesar da justificativa apresentada, a versão foi contestada pelo Ministério Público. Ao se manifestar no processo, o promotor responsável destacou que vídeos, testemunhos e outros elementos reunidos pela investigação apontam para uma situação diferente da relatada pelo investigado.

Segundo o Ministério Público, as imagens mostram que o mata-leão teria sido mantido até o adolescente perder a consciência. O órgão também afirma que o jovem teria recebido chutes quando já estava desacordado.

Na manifestação enviada à Justiça, o promotor ressaltou que o episódio ocorreu em um ambiente frequentado por crianças e adolescentes e citou outros registros envolvendo Rafael para sustentar a existência de comportamento agressivo recorrente.

Entre as ocorrências mencionadas estão procedimentos relacionados a lesão corporal, ameaça, dano e um episódio anterior envolvendo outros adolescentes.

Com base nesses elementos, o Ministério Público pediu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça.

Ao analisar o caso, o magistrado concedeu liberdade provisória ao lutador, mas determinou o cumprimento de medidas cautelares. Rafael deverá usar tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato com as vítimas e não poderá frequentar a região da Praça das Artes e do Jardim Goiás, onde vivem os envolvidos.

A investigação segue em andamento para apurar as circunstâncias da agressão e eventual responsabilização criminal dos envolvidos.