O Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas) deve passar por uma mudança importante em sua estrutura orçamentária. Um projeto de lei em elaboração pela Prefeitura de Goiânia vai permitir que o instituto receba emendas parlamentares de vereadores para compor o orçamento, ampliando as alternativas de financiamento da instituição.

A proposta, apurada de forma exclusiva pelo Jornal Opção, aguarda a assinatura do prefeito Sandro Mabel para ser encaminhada à Câmara Municipal de Goiânia. O Legislativo está em recesso, mas a expectativa é que o tema esteja entre os principais debates no início do ano legislativo.

Atualmente, a legislação que rege o Imas é considerada defasada pela gestão municipal e limita a entrada de novos recursos. Com a mudança, as emendas parlamentares poderão funcionar como um reforço financeiro em um momento crítico para o instituto, que acumula uma dívida estimada em R$ 220 milhões.

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O desequilíbrio nas contas é resultado de um modelo que, nos últimos anos, deixou de operar com o sistema de cotas — que limitava mensalmente a quantidade de consultas, procedimentos e internações autorizados. Sem esse controle, os gastos aumentaram de forma significativa. Diante do agravamento da situação, a gestão retomou o sistema de cotas em 2025 como forma de tentar reduzir o déficit e garantir o pagamento aos prestadores de serviço.

Hoje, a receita líquida mensal do Imas gira em torno de R$ 13 milhões, valor destinado ao custeio de hospitais e profissionais credenciados. No entanto, em alguns meses, o volume de faturamento apresentado chega a aproximadamente R$ 22 milhões, diferença que escancara o desequilíbrio estrutural do plano.

Outro ponto previsto na proposta de reestruturação é a revisão do modelo de contribuição dos servidores. Atualmente, a alíquota é de 4% sobre os vencimentos. Há a possibilidade de adoção de critérios atuariais e cobrança por faixa etária, mas esse debate ainda deverá passar por discussão com conselhos e sindicatos durante a tramitação do projeto.

O Imas atende cerca de 70 mil beneficiários, em sua maioria servidores com salários mais baixos da administração municipal. Esse perfil limita a capacidade de arrecadação do instituto e é apontado pela gestão como um dos principais desafios para equilibrar as contas.

Além das mudanças financeiras, o projeto também prevê a contratação de uma empresa especializada para auxiliar na gestão técnica do plano de saúde. A administração geral continuará sob responsabilidade do município. Segundo o prefeito, a empresa será de fora do estado e possui experiência no setor, com contratação vinculada a um prazo judicial. A assinatura do contrato deve ocorrer nos próximos dias.

Com as novas regras, a prefeitura aposta em um redesenho do modelo de financiamento e gestão do Imas, tentando garantir sustentabilidade ao sistema e manter o atendimento aos milhares de servidores que dependem do instituto.