O advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, pai de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, e a madrasta da criança, Kathellen Moreira, foram presos na madrugada desta quinta-feira (6), em Palmas, no Tocantins. O casal é investigado pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento na morte do menino, encontrado sem vida na residência onde os dois moravam.

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As prisões ocorreram horas depois que a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) solicitou à Justiça a prisão preventiva dos investigados. Segundo a Polícia Civil, os dois foram localizados na casa de um amigo de Igor, na região norte da capital.

Conforme informações apuradas, os investigadores acompanhavam os passos do casal e realizavam monitoramento no endereço onde eles estavam. Moradores da região perceberam uma movimentação considerada incomum e repassaram informações que auxiliaram as equipes policiais.

Ao perceberem a aproximação dos agentes, os investigados acionaram a defesa. Segundo os advogados de Igor Gustavo, ele colaborou com as autoridades desde o início e a apresentação foi previamente combinada com a polícia.

Após os procedimentos realizados no Instituto Médico Legal (IML), o pai da criança foi encaminhado ao sistema prisional e Kathellen Moreira foi levada para a unidade prisional feminina. A defesa da madrasta ainda não havia se manifestado.

O caso começou a ser investigado na segunda-feira (3), quando Igor Gustavo procurou a polícia para informar a morte do filho. Na ocasião, ele relatou que o menino teria se afogado na piscina da residência.

Entretanto, o laudo do Instituto Médico Legal descartou a hipótese de afogamento e apontou que Gustavo morreu após sofrer múltiplas agressões. A perícia também identificou sinais de violência sexual.

De acordo com o documento pericial, a criança apresentava marcas de agressões na face, hemorragia interna e laceração intestinal. O laudo descreveu que a morte ocorreu em um cenário de "crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões".

Exames complementares foram solicitados para investigar a presença de sêmen, álcool e drogas. Os resultados deverão ser incorporados posteriormente ao inquérito conduzido pela Polícia Civil.

A defesa de Igor Gustavo afirma que o menino sofreu um afogamento no domingo (2) e que teria sido socorrido ainda na residência. Segundo os advogados, na manhã seguinte o pai encontrou a criança sem sinais vitais e, abalado, deixou o local, mas posteriormente se apresentou espontaneamente à delegacia, prestou esclarecimentos e entregou as chaves da casa para os trabalhos da perícia.

A investigação também envolve o histórico familiar da criança. Igor Gustavo e Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo, não moravam juntos e mantinham disputas judiciais relacionadas à convivência e ao pagamento de pensão.

Um vídeo registrado antes da morte do menino passou a ser analisado pela investigação. Nas imagens, Gustavo aparece dizendo que não queria ir para a casa do pai. Ao ser questionado pela mãe sobre o motivo, a criança responde: "Porque ele me bate".

Segundo a advogada de Sabrina, a mãe já teria relatado situações em que o filho retornava das visitas com ferimentos. A defesa afirma que ela temia represálias e ameaças e, por isso, não teria tomado medidas mais severas anteriormente.

O diretor do IML, Eduardo Godinho, afirmou que o estado em que a criança chegou ao instituto chamou atenção pela gravidade das lesões.

"Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, o primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento", declarou.

O delegado Eduardo Menezes, da DHPP, foi responsável pelo pedido de prisão preventiva do casal. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte para esclarecer a dinâmica dos fatos e a responsabilidade de cada envolvido.

A defesa de Igor Gustavo informou, em nota, que ele permaneceu à disposição das autoridades e que sua entrega foi previamente acordada após a expedição do mandado de prisão. Os advogados afirmaram ainda que não irão comentar detalhes do caso devido ao sigilo das investigações.