Profissionais da saúde iniciaram, nesta terça-feira (13), uma greve em Goiânia motivada por atrasos salariais recorrentes, falta de insumos básicos nas unidades e dificuldades de diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde. A paralisação teve início com trabalhadores credenciados, mas pode se ampliar nos próximos dias para servidores concursados da rede municipal.

O movimento envolve diferentes categorias da área da saúde e ocorre após meses de reivindicações sem avanços concretos, segundo as entidades representativas. Entre as principais pautas estão a regularização dos pagamentos, a melhoria das condições de trabalho, a garantia de fornecimento de materiais e medicamentos e a revisão de editais de credenciamento que, na avaliação dos sindicatos, prejudicam os profissionais e impactam diretamente a qualidade do atendimento à população.

De acordo com representantes sindicais, a greve começou no Centro Integrado de Atenção Médico-Sanitária Jardim América, mas não deve se limitar a uma única unidade. A decisão foi tomada após assembleia conjunta realizada na última sexta-feira, com a participação de sindicatos que representam enfermeiros, farmacêuticos, técnicos, auxiliares e outros trabalhadores da saúde.

Leia Também:

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás, Neia Vieira, afirmou que a paralisação é resultado de um acúmulo de problemas enfrentados pelos profissionais. Segundo ela, embora parte dos pagamentos tenha sido realizada recentemente, os atrasos se tornaram frequentes e geram insegurança financeira. Ela destacou ainda que o movimento não se restringe aos médicos, mas envolve todos os trabalhadores credenciados da rede.

Outra reclamação central diz respeito ao Edital de Chamamento nº 03 de 2025, que prevê redução de até 35 por cento nos honorários médicos e autoriza jornadas de até 24 horas consecutivas. Para os sindicatos, as mudanças comprometem a saúde dos profissionais e a segurança dos pacientes.

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás, Dionne Hallyson Silva de Siqueira, confirmou a adesão da categoria à greve e afirmou que a insatisfação vai além da questão salarial. Segundo ela, a falta de materiais, insumos e condições adequadas de trabalho é uma realidade constante nas unidades de saúde do município.

Dionne relatou que a ausência de medicamentos e estrutura mínima tem gerado tensão no atendimento e episódios frequentes de desgaste entre profissionais e usuários do sistema. Ela afirmou que os trabalhadores têm enfrentado situações de assédio e agressões verbais, reflexo direto da precarização do serviço público de saúde.

As entidades também cobram a reativação da mesa de negociação permanente do Sistema Único de Saúde, considerada essencial para garantir diálogo institucional e transparência na relação entre gestores e trabalhadores. Para os sindicatos, a ausência desse espaço tem aprofundado o distanciamento entre a gestão municipal e os profissionais da linha de frente.

Apesar de o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás não ter participado da assembleia conjunta, por já ter realizado deliberação própria anteriormente, as entidades afirmam que a mobilização é ampla e pode ganhar força nos próximos dias. Uma nova assembleia deve ser realizada para avaliar a adesão de servidores concursados à paralisação.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os atendimentos de urgência e emergência devem ser mantidos integralmente, por se tratarem de serviços essenciais. A pasta também afirmou que tem adotado medidas para reestruturar a rede municipal, incluindo manutenção de unidades e aquisição de medicamentos.

Mesmo diante da posição da secretaria, os sindicatos avaliam que a greve reflete problemas estruturais e a falta de diálogo contínuo. Para os trabalhadores, sem negociação efetiva e soluções concretas, a paralisação tende a se intensificar, com impacto direto no funcionamento da rede e no atendimento à população.

A reportagem tem como fonte o Jornal Opção.