O número de mortos após os temporais que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, subiu para 23, segundo balanço atualizado das autoridades na manhã desta terça-feira (24). Em Juiz de Fora, ao menos 16 pessoas morreram e cerca de 45 seguem desaparecidas, conforme informações do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Já em Ubá, foram confirmadas sete vítimas fatais após os fortes temporais que atingiram o município.

A chuva intensa provocou deslizamentos de encostas, quedas de barreiras, enxurradas e alagamentos em diversos bairros, deixando um rastro de destruição. Casas foram arrastadas pela força da água, veículos ficaram soterrados e ruas inteiras foram tomadas por lama e entulho. Equipes de resgate trabalham de forma ininterrupta na tentativa de localizar desaparecidos e socorrer moradores que ficaram isolados em áreas de risco.

Diante da gravidade da situação, a prefeitura de Juiz de Fora decretou situação de calamidade pública. A medida permite acelerar processos emergenciais, como contratação de serviços, liberação de recursos e ações de assistência humanitária. As aulas na rede municipal também foram suspensas nesta terça-feira, enquanto escolas estão sendo avaliadas para verificar possíveis danos estruturais e riscos à segurança de estudantes e servidores.

Leia Também:

Em Ubá, o cenário também é crítico. Regiões inteiras ficaram inundadas após rios transbordarem, obrigando moradores a abandonarem suas casas às pressas. Muitas famílias perderam móveis, eletrodomésticos e pertences pessoais. Abrigos provisórios foram montados para acolher desalojados e desabrigados, enquanto equipes de assistência social realizam o cadastro das vítimas para distribuição de alimentos, água potável, roupas e itens de higiene.

Segundo especialistas, o volume de chuva registrado em poucas horas superou a média prevista para vários dias, o que contribuiu para o colapso de drenagens urbanas e aumento do risco geológico em áreas de encosta. O solo encharcado facilita deslizamentos, principalmente em regiões com ocupação irregular ou desmatamento, aumentando o potencial de tragédias.

As autoridades alertam que o risco ainda não terminou. A previsão meteorológica indica possibilidade de novas pancadas de chuva, o que mantém equipes em estado de alerta máximo. A orientação é que moradores deixem imediatamente imóveis localizados em encostas ou próximos a córregos e rios caso percebam sinais como rachaduras nas paredes, estalos no terreno, inclinação de árvores ou aumento repentino do nível da água.

O trabalho de buscas segue concentrado nas áreas mais atingidas, com uso de máquinas, cães farejadores e drones. A prioridade é localizar desaparecidos com vida, mas a operação também envolve remoção de escombros, desobstrução de vias e restabelecimento de serviços essenciais, como energia elétrica e abastecimento de água.

Autoridades estaduais e federais acompanham a situação e avaliam o envio de recursos emergenciais para auxiliar na reconstrução das cidades afetadas. Enquanto isso, moradores enfrentam o desafio de recomeçar após perdas materiais e humanas causadas por um dos eventos climáticos mais graves registrados recentemente na região.