Um homem de 41 anos morreu depois de ser linchado na porta de uma distribuidora de bebidas em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, após agredir a companheira com um tapa no rosto, segundo a Polícia Civil. O caso aconteceu na tarde de sábado, no setor Jardim das Oliveiras, e está sendo investigado.

De acordo com as apurações iniciais, o homem chegou ao local acompanhado da companheira e de uma adolescente. Ele já estaria embriagado e discutindo com a mulher quando, em determinado momento, deu um tapa no rosto dela. A agressão gerou revolta entre pessoas que estavam na distribuidora.

Testemunhas relataram que um dos presentes partiu para cima do homem logo após o tapa e teria dito que ali homem não batia em mulher. A situação rapidamente saiu do controle. O homem agredido deixou o local, mas voltou pouco depois com uma faca e, conforme a polícia, tentou atingir um dos envolvidos na confusão.

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Nesse momento, três homens passaram a agredi lo. Um deles foi detido e aparece em imagens de câmeras de segurança usando um capacete para dar golpes na vítima. Em depoimento, ele afirmou que bateu nos braços e nas mãos do homem para tentar fazê lo soltar a faca e que agiu para defender outra pessoa.

O delegado responsável pelo caso informou que, em um primeiro momento, a autoridade policial entendeu que esse suspeito pode ter agido em legítima defesa de terceiro. Já em relação aos outros dois envolvidos nas agressões, a avaliação é diferente. Segundo a investigação, há indícios de que a violência continuou mesmo quando a vítima já estava caída e sem condições de reagir, o que pode afastar a tese de defesa e caracterizar excesso.

Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o homem recebendo chutes, empurrões e golpes com o capacete. Em gravações feitas depois, ele já aparece caído no chão, ainda sendo agredido. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Laudo da Polícia Técnico Científica apontou que a causa da morte foi traumatismo crânio encefálico, com óbito decorrente de choque neurogênico provocado pelo espancamento.

A Polícia Civil solicitou perícias e segue ouvindo testemunhas para esclarecer a dinâmica completa dos fatos e a participação de cada envolvido. Um advogado entrou em contato com a polícia para apresentar um dos suspeitos. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

O caso levanta discussões sobre os limites entre reação a uma agressão e a prática de violência coletiva. Para a polícia, mesmo diante da revolta causada pela agressão contra a mulher, qualquer ato de vingança ou continuidade das agressões quando não há mais risco pode configurar crime.