Estamos diante de um predador sexual. A afirmação é da delegada Amanda Menuci ao descrever a atuação do ginecologista Marcelo Arantes e Silva, denunciado por cinco pacientes por crimes sexuais em Goiás.

As denúncias começaram em 2017 e 2020, mas o caso ganhou novo peso em março deste ano, quando outras três mulheres procuraram a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. Mesmo sem se conhecerem, todas relataram situações muito semelhantes.

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Segundo a investigação, o médico construía um ambiente de confiança antes de avançar. Elogiava, criava proximidade e, pouco a pouco, passava a fazer perguntas íntimas e comentários inadequados. Na sequência, vinham os toques sem consentimento e procedimentos que não tinham qualquer relação com a consulta.

Os relatos apontam que as vítimas eram surpreendidas e, em muitos casos, ficavam sem reação diante da situação.

Um dos episódios mais graves indica que o médico realizou sexo oral em uma paciente dentro do consultório. O atendimento foi marcado para o início da noite, após ele dispensar a secretária e permanecer sozinho com a vítima.

Em outro caso, uma mulher voltou ao consultório acompanhada da filha adolescente, após já ter se sentido constrangida anteriormente. Ainda assim, segundo o depoimento, sofreu novos toques de cunho sexual durante o atendimento.

Quatro ocorrências investigadas aconteceram em uma clínica no Setor Campinas, em Goiânia, e uma em Senador Canedo.

Para a delegada, a repetição dos relatos deixa claro que não se trata de episódios isolados, mas de um comportamento contínuo. A polícia trabalha com a possibilidade de que existam outras vítimas que ainda não denunciaram.

A Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva do médico, mas a Justiça negou. Em vez disso, foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato com as denunciantes e a restrição de deixar o município.

Mesmo sendo maiores de idade, as vítimas são consideradas em situação de vulnerabilidade durante os atendimentos, o que pode enquadrar o caso como estupro de vulnerável.

O Conselho Regional de Medicina suspendeu o direito do médico de exercer a profissão.

A investigação segue em andamento, e a polícia aposta que a repercussão do caso pode levar novas vítimas a procurar as autoridades.