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O jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, falou pela primeira vez após sobreviver a quase cinco dias perdido na mata do Pico Paraná, no litoral do Paraná. O caso ganhou repercussão nacional depois que ele conseguiu sair sozinho da floresta e revelou que havia sido deixado para trás por uma amiga durante a descida da montanha.
Roberto contou que a separação aconteceu após ele passar mal ainda na trilha. Segundo o jovem, um mal estar provocado por um iogurte ingerido antes da subida fez com que ele ficasse mais lento. Durante a descida, um grupo avançou e a amiga, Thayane Smith, seguiu com eles. Ele ficou para trás, respeitando o próprio ritmo.
Apesar de afirmar que a atitude não deveria ter acontecido, Roberto disse não guardar ressentimentos. Ele destacou que o mais importante foi saber que a amiga chegou em segurança. Os dois se conheciam havia cerca de dois meses e ainda não haviam conversado após o episódio. Roberto afirmou que pretende devolver alguns pertences dela que estavam sob seus cuidados.
Sozinho na mata, o jovem acabou seguindo uma sinalização errada e caiu em uma região próxima a cachoeiras. Sem celular, já que a bateria acabou após o carregador molhar, ele não conseguiu pedir ajuda. Mesmo tendo alguma experiência em trilhas, como no Marumbi e no Anhangava, Roberto reconhece que era inexperiente para a complexidade do Pico Paraná.
Durante os dias perdido, ele sobreviveu praticamente sem comida. Tinha apenas uma ameixa no bolso, que acabou sendo sua única refeição. A fome, o cansaço e os ferimentos se tornaram constantes. O rio virou a principal referência para tentar encontrar uma saída, mesmo com correntezas fortes e a incerteza sobre a qualidade da água.
O momento mais crítico aconteceu no terceiro dia, quando Roberto perdeu os óculos de grau e uma das botas após ser arrastado pela correnteza. Com mais de quatro graus de miopia, ele passou a enxergar apenas vultos, o que aumentou o risco e o medo. Ainda assim, improvisou uma bandagem no pé ferido e seguiu caminhando.
Roberto acredita que sobreviveu por um milagre. Ele relatou que, nos momentos mais difíceis, repetia a palavra proteção como forma de manter a esperança. O jovem se separou do grupo na manhã do dia 1º de janeiro e chegou, sozinho, no dia 5, a uma fazenda em Antonina, onde conseguiu socorro.
Após ser encaminhado ao hospital, a família informou que ele deve retornar para casa, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, nos próximos dias. O caso reacende o alerta sobre os riscos de trilhas em áreas de mata fechada e a importância de preparo, planejamento e apoio mútuo em ambientes extremos.
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