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O número de mortos após as enchentes e deslizamentos que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território autônomo da China, passou de 335. Cerca de 1,5 mil pessoas continuavam desaparecidas enquanto equipes de resgate avançavam pelas áreas devastadas.
Os números divulgados pelas autoridades ainda são considerados preliminares. No lado nepalês, ao menos 332 pessoas morreram. No território chinês, outras três mortes foram confirmadas.
A tragédia atingiu vilarejos, estradas, áreas comerciais e prédios. Imagens registradas por câmeras de segurança e divulgadas após o desastre mostram uma enorme massa de lama e detritos avançando sobre construções, enquanto pessoas tentam fugir.
A força da enxurrada também arrastou veículos, incluindo carros e ônibus.
Fenômeno foi registrado como evento sísmico
A dimensão do desastre foi tão grande que o episódio chegou a ser registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
De acordo com as informações divulgadas, o fenômeno estaria relacionado ao desmoronamento de uma geleira. Especialistas também investigam a possibilidade de uma avalanche de gelo e rochas ter provocado uma alteração repentina no volume de água dos rios da região.
No Nepal, as áreas mais atingidas incluem o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, localizado a leste da capital.
A origem exata da enxurrada ainda está sob investigação.
Mais de 500 turistas estrangeiros estão desaparecidos
As autoridades nepalesas continuavam sem informações sobre 823 pessoas, entre elas 517 turistas estrangeiros.
Entre os estrangeiros desaparecidos estão cidadãos de diversos países. O levantamento inclui 178 pessoas da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá.
A Espanha também informou que quatro de seus cidadãos continuam desaparecidos.
No lado chinês, o deslizamento de lama que atingiu a região do porto de Gyirong deixou outras 558 pessoas sem localização. Entre elas, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal, estão 260 estrangeiros.
As nacionalidades dessas pessoas não foram informadas.
Povoados e áreas comerciais foram destruídos
As equipes de resgate enfrentam dificuldades para acessar as áreas atingidas. A lama e os destroços bloquearam caminhos e soterraram partes de edifícios de vários pavimentos.
Moradores procuram familiares desaparecidos enquanto as autoridades tentam ampliar as operações de busca.
A destruição atingiu comunidades inteiras e áreas de comércio próximas à fronteira.
Segundo representantes da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a dimensão dos danos é considerada significativa.
“Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos”, afirmou David Fisher, diretor da organização no Nepal.
Os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 500 mil em ajuda.
O Exército do Nepal realiza sobrevoos sobre as regiões afetadas e já resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas consideradas de risco, principalmente próximas aos rios, receberam ordens para deixar suas residências.
Autoridades temem uma nova inundação
Além das buscas por sobreviventes, autoridades e especialistas acompanham a possibilidade de uma nova inundação.
Um bloqueio no curso de um rio localizado na região de fronteira entre o Nepal e a China pode provocar o represamento da água e uma nova enxurrada.
Segundo especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, o risco permanece enquanto o bloqueio não for eliminado.
No lado chinês, a lama atingiu o porto de Gyirong, importante área de comércio internacional na fronteira. Imagens feitas por drones mostram prédios parcialmente soterrados.
O presidente da China, Xi Jinping, determinou a mobilização de equipes e recursos para intensificar as buscas e os resgates.
O dalai-lama também se manifestou após a tragédia e afirmou que reza pelas vítimas, além de pedir medidas de assistência às comunidades atingidas.
A região do sul da Ásia enfrenta todos os anos o período de monções, entre junho e setembro, quando chuvas intensas aumentam o risco de enchentes e deslizamentos.
Especialistas alertam que eventos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos em diversas regiões, aumentando os riscos para populações que vivem próximas a áreas montanhosas, rios e encostas.
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