A famosa muralha de pedra localizada em Paraúna, no oeste de Goiás, voltou ao centro das atenções após novas explicações científicas sugerirem que sua origem pode ser totalmente natural. Com cerca de 15 quilômetros de extensão, a estrutura, conhecida como Muralha de Ferro, sempre despertou curiosidade por seu formato incomum e pela antiga crença de que teria sido construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia.

De acordo com o geólogo Silas Gonçalves, a formação não é resultado de intervenção humana, mas sim consequência de um dos maiores eventos vulcânicos continentais já registrados na história da Terra. Esse fenômeno ocorreu há mais de 130 milhões de anos, durante a fragmentação do supercontinente Gondwana e a abertura do Oceano Atlântico Sul.

Na época, enormes volumes de lava basáltica foram expelidos e se espalharam por extensas áreas do que hoje corresponde ao sul e centro do Brasil. Esse processo deu origem à chamada Província Magmática do Paraná. Com o passar do tempo, a lava esfriou e se transformou em basalto, uma rocha resistente que apresenta fraturas naturais.

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Essas fraturas, conhecidas como juntas de resfriamento, surgem quando o material vulcânico perde temperatura e se contrai, formando blocos com formatos geométricos bem definidos. No caso da muralha, esses blocos ficaram alinhados de forma linear, criando o aspecto que lembra uma construção planejada.

Além disso, fatores geológicos ajudaram a reforçar essa aparência. As fraturas seguiram direções específicas do terreno, principalmente nos sentidos nordeste e noroeste, o que contribuiu para o alinhamento das rochas. Com o passar de milhões de anos, a erosão atuou de forma desigual: enquanto rochas mais frágeis ao redor foram sendo desgastadas, o basalto permaneceu em destaque, evidenciando ainda mais a estrutura.

Outro ponto que sempre alimentou teorias foi a presença de um material escuro entre as rochas, popularmente chamado de “óleo de baleia”. No entanto, pesquisadores hoje acreditam que essa substância seja, na verdade, um dique de diabásio — um tipo de rocha formada quando o magma preenche fissuras e depois se solidifica.

A muralha está localizada dentro do Parque Estadual de Paraúna, uma área de preservação que também abriga as serras das Galés e da Portaria. O local, conhecido como o “Machu Picchu de Goiás”, reúne diversas formações rochosas curiosas, esculpidas naturalmente ao longo do tempo, com formatos que lembram animais e objetos, como tartaruga, cálice e chapéu.

Além da muralha, o parque oferece outras atrações naturais, como a Cachoeira do Desengano, considerada uma das mais bonitas da região. O acesso é feito pela rodovia GO-411, e a entrada do parque fica a cerca de 30 quilômetros da cidade de Paraúna. Para chegar até as formações, os visitantes precisam fazer uma caminhada de aproximadamente um quilômetro.

Com altitudes que variam entre 690 e 890 metros acima do nível do mar, o parque está aberto ao público diariamente, das 7h às 17h, e não exige a contratação de guias para visitação.

Mesmo com explicações científicas cada vez mais consistentes, a muralha segue cercada de fascínio. O que antes parecia obra de civilizações antigas agora revela um outro tipo de grandiosidade: a capacidade da própria natureza de criar estruturas impressionantes, que desafiam a percepção humana e transformam paisagens em verdadeiros enigmas geológicos.