A Superbet anunciou neste domingo (31) o lançamento de uma linha de acolhimento disponível 24 horas por dia para pessoas com problemas relacionados ao vício em apostas. O serviço funcionará por telefone e WhatsApp e encaminhará os jogadores para atendimento remoto especializado.

A iniciativa ocorre em meio ao crescimento das preocupações com os impactos das apostas online e o aumento dos relatos de pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo relacionado aos jogos. O serviço será realizado em parceria com o Instituto de Proteção ao Jogador (IPJ) e contará com assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.

A empresa anunciou uma campanha publicitária de R$ 60 milhões para divulgar a chamada “Superlinha”. O valor não inclui os investimentos destinados diretamente ao atendimento em saúde mental. Segundo as informações divulgadas, a estrutura inicial terá capacidade para realizar até 3,5 mil atendimentos por mês, podendo ser ampliada conforme a procura.

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A campanha será divulgada em televisão, redes sociais, clubes patrocinados pela empresa e espaços publicitários em estádios. O ex-jogador Cafu será um dos rostos da ação publicitária.

O CEO da empresa, Alexandre Fonseca, afirmou que o custo de manutenção da estrutura dependerá diretamente da quantidade de pessoas que procurarem ajuda. Segundo ele, a empresa pretende ajustar a capacidade do serviço conforme o crescimento da demanda.

A criação da linha de acolhimento acontece em um momento em que o vício em apostas passou a ocupar espaço crescente no debate público brasileiro. Dados citados na reportagem apontam que cerca de 1,4 milhão de brasileiros apresentavam, em levantamento publicado em 2025, quadros compatíveis com provável Transtorno do Jogo.

Outro dado que chama atenção é o percentual de pessoas consideradas em risco de desenvolver problemas relacionados às apostas. Segundo avaliação citada pela reportagem, o índice no Brasil ultrapassa 7%, enquanto em outros países ficaria entre 1% e 3%.

A discussão sobre o impacto das bets também já chegou ao sistema público de saúde. Em julho, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional voltada à prevenção dos danos relacionados às apostas online e à divulgação de serviços de saúde mental disponíveis pelo SUS para apostadores e familiares afetados.

A Superbet defende que a educação do consumidor é um dos principais caminhos para enfrentar o problema. A empresa também se posiciona contra a proibição das apostas online e argumenta que uma eventual proibição poderia ampliar o mercado clandestino.

O crescimento do setor, porém, vem acompanhado de uma contradição cada vez mais presente no debate: as mesmas plataformas que investem bilhões para atrair apostadores agora também precisam criar mecanismos para atender pessoas que perderam o controle sobre o próprio hábito de apostar.

A própria política de jogo responsável da empresa prevê ferramentas como limites de depósito, perda e tempo de uso, além da possibilidade de autoexclusão.

A nova linha de acolhimento amplia esse tipo de suporte ao oferecer atendimento humano especializado para jogadores que reconhecem que as apostas deixaram de ser entretenimento e passaram a causar prejuízos.