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A comercialização ilegal de animais silvestres encontrou um novo caminho para crescer no Brasil: a internet. Utilizando plataformas como WhatsApp, Facebook e Telegram, traficantes negociam aves, mamíferos, répteis e anfíbios, incluindo espécies ameaçadas de extinção, em grupos fechados que reúnem centenas de participantes. Em Goiás, a prática tem atraído compradores e vendedores, movimentando valores que podem chegar a R$ 20 mil por negociação.
Uma investigação realizada pelo portal Mais Goiás teve acesso a grupos utilizados para a venda clandestina de animais e simulou negociações com traficantes que atuam em diferentes regiões do país. Entre eles está um homem que se apresentou como Leo, morador de Itumbiara, e que ofereceu diversas espécies silvestres sem qualquer documentação legal.
Segundo ele, um casal de araras-canindé poderia ser adquirido por R$ 1,2 mil. Já um casal de araras-azuis era oferecido por R$ 8 mil. Filhotes de macaco-prego chegavam a R$ 10 mil, enquanto um bugio-ruivo era anunciado por R$ 7 mil. O vendedor exigia pagamento antecipado de metade do valor e deixava claro que os preços eram para animais sem documentação.
Além das espécies mais conhecidas, os grupos também oferecem animais considerados exóticos, como jacarés, cobras estrangeiras, camaleões, iguanas, aranhas e diferentes espécies de primatas. Muitos desses animais possuem proteção ambiental especial ou estão ameaçados de extinção.
O Brasil é um dos principais alvos do tráfico internacional de fauna devido à enorme biodiversidade presente em seus biomas. Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) apontam que cerca de 38 milhões de animais são retirados da natureza todos os anos. Desse total, aproximadamente 4 milhões acabam comercializados ilegalmente.
As aves aparecem entre os animais mais procurados pelos traficantes e compradores. Papagaios, araras e pássaros de canto lideram as negociações por causa da facilidade de transporte e do alto valor de mercado.
Especialistas alertam que manter um animal silvestre sem autorização já configura crime ambiental, mesmo que não haja intenção de venda. A legislação brasileira prevê punições para captura, transporte, comercialização, guarda e exportação irregular de espécies nativas.
Outro aspecto preocupante revelado pela investigação é a oferta de documentos falsificados para legalizar os animais. Durante as negociações, traficantes afirmaram conseguir certificados e licenças ambientais fraudulentas supostamente produzidas por intermediários ligados ao sistema ambiental. A prática pode resultar em acusações por crime ambiental e falsidade documental.
Advogados consultados pela reportagem explicam que a única forma legal de adquirir um animal silvestre é por meio de criadouros autorizados pelos órgãos ambientais competentes. Nesses casos, o comprador recebe nota fiscal, certificado de origem e o animal deve possuir identificação individual, como anilha ou microchip.
A criação regularizada também exige cadastro em sistemas oficiais, aprovação dos órgãos ambientais e fiscalização periódica. Animais nascidos fora das regras estabelecidas não podem ser comercializados e devem ser encaminhados para centros de triagem especializados.
As autoridades reforçam que o tráfico de animais silvestres não apenas ameaça espécies já vulneráveis, mas também alimenta organizações criminosas que atuam em diferentes estados e até no exterior. Além dos prejuízos à biodiversidade, a atividade clandestina representa riscos sanitários e ambientais, uma vez que muitos animais são retirados da natureza sem qualquer controle ou cuidado adequado.
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