A decisão da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás acendeu um alerta dentro da própria advocacia. A seccional goiana suspendeu preventivamente dois advogados investigados por envolvimento em crimes graves, incluindo agiotagem com uso de violência e falsificação de documentos judiciais.

A medida foi tomada pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-GO durante uma sessão extraordinária. Segundo a entidade, a suspensão tem caráter cautelar , ou seja, é provisória e não representa ainda uma condenação definitiva dos profissionais envolvidos.

Os casos, apesar de distintos, têm em comum a gravidade das acusações e o impacto direto na credibilidade da advocacia.

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No primeiro, uma advogada inscrita no Distrito Federal é investigada por participação em um esquema de agiotagem que operava em Luziânia. De acordo com as apurações, ela atuaria junto com o marido, um sargento da Polícia Militar, oferecendo empréstimos com juros abusivos.

Mas o que mais chama atenção é a forma de cobrança. As investigações apontam o uso de violência extrema, incluindo extorsão, sequestro e até tortura para pressionar vítimas a quitarem dívidas. Há ainda suspeitas de utilização de armas nas ações do grupo. A advogada chegou a ser presa em dezembro do ano passado, o que reforçou o peso das acusações analisadas pela OAB.

Já o segundo caso envolve um advogado inscrito em Goiás, investigado por participação em um esquema de falsificação de documentos para ajuizar ações trabalhistas contra a Companhia de Urbanização de Goiânia.

As irregularidades vieram à tona quando supostos autores das ações afirmaram desconhecer completamente os processos que tramitavam em seus nomes. Em outras situações, foi constatado que pessoas listadas como reclamantes sequer tinham qualquer vínculo com a empresa envolvida.

Diante desse cenário, o TED avaliou que havia indícios robustos o suficiente para justificar a suspensão imediata dos profissionais. A decisão também levou em consideração a repercussão negativa dos casos e o risco à imagem da advocacia, que depende diretamente da confiança pública.

A OAB-GO reforçou que esse tipo de medida não exige uma condenação prévia. Basta a combinação de fortes indícios, gravidade das condutas investigadas e potencial dano institucional para que a suspensão preventiva seja aplicada.

Agora, os casos seguem em tramitação dentro dos órgãos competentes, onde serão analisados de forma mais aprofundada. Só ao final desse processo é que será definida a responsabilidade dos envolvidos e possíveis punições definitivas.

Enquanto isso, a decisão já funciona como um recado claro: práticas ilegais dentro da advocacia não serão toleradas — especialmente quando cruzam a linha e passam a envolver violência, fraude e abuso de poder.